Artistas censurados durante a ditadura militar (1964-1985)

27 de Novembro 2009 as 10:29

Artistas censurados durante a ditadura militar (1964-1985)

Caetano Veloso

Chico Buarque

Elis Regina

Geraldo Vandré

Gilberto Gil

Kid Abelha

Milton Nascimento

Raul Seixas

Taiguara

Toquinho

Dom & Ravel

Odair José

Torquato Neto

Canções-protesto

Alguns artistas usavam a própria música para protestar contra a censura. Algumas destas músicas ganharam um caráter histórico dentro do movimento da MPB. Por outro lado, algumas canções eram censuradas apenas por não condizer com os valores morais da época, como é o caso de "Como Eu Quero" de Paula Toller e Leoni, cuja personagem principal exige de seu namorado que "tire essa bermuda". Também é famoso o caso de censura à canção "Tortura de Amor" de Waldick Soriano, lançada no auge da repressão. Outro caso conhecido de censura por razões não políticas foi a imposta a Adoniran Barbosa, que compunha de acordo com o dialeto caipira, obrigado a corrigir as letras de suas canções de acordo com a Gramática, caso quisesse gravá-las. Adoniran preferiu esperar pelo fim da censura prévia para voltar a gravar.

"Apesar de Você" – Chico Buarque

"Pra Não Dizer que Não Falei das Flores" – Geraldo Vandré

"Cálice" – Chico Buarque e Gilberto Gil

"É Proibido Proibir" – Caetano Veloso

"A Banda" – Chico Buarque

"Acorda, Amor" – Leonel Paiva e Julinho da Adelaide (Chico Buarque)

"Que as Crianças Cantem Livres" – Taiguara

"Animais Irracionais" – Dom e Ravel

"Sociedade Alternativa" Raul Seixas

Censura após a Redemocratização

Mesmo após os militares terem deixado o poder, ainda é possível verificar algumas formas de censura. Muitas ocorrem tendo em vista proteger os cidadãos de atitudes intolerantes, mas, várias outras ocorrem por motivos mais complexos, frutos da persistência do patrimonialismo na cultura brasileira.

Arquivos da ditadura militar

Ver artigo principal: Documentos da ditadura militar brasileira

Uma forma direta e indireta de censura é a permanência da grande maioria dos arquivos referentes ao período militar estar inacessível à consulta de advogados, historiadores e da população em geral.

Apenas alguns arquivos estaduais do DOPS (tais como os de São Paulo e os do Rio de Janeiro) já se encontram disponibilizados para consultas, mas, arquivos do mesmo órgão em outros estados continuam lacrados e, em alguns, não se sabe o paradeiro deles.

Os arquivos do DOI-CODI, em todos os estados do país, são dados pelas autoridades como destruídos, o que é contestado por aqueles que possuem interesse em consultá-los. Como exemplo, citam a possibilidade dos arquivos de tal órgão terem sobrevivido por terem sido enterrados,[2] e documentos de outras instâncias que tratavam da Guerrilha do Araguaia que foram publicados após parte deles ter estourado na imprensa.

Outra parte dos arquivos militares encontra-se trancada por decisão do Governo Federal. Com efeito, parte deles nunca será tornada pública, sob a justificativa de se manter a ordem nacional.

Beyond Citizen Kane

Ver artigo principal: Beyond Citizen Kane

Em 1994, o documentário Beyond Citizen Kane tem a sua circulação proibida sob pretextos bastante controversos. Por fazer uma abordagem crítica a respeito da formação da Rede Globo, maior emissora televisiva do país e que se origina bem na época da ditadura militar, acredita-se que, se aproveitando de algum possível trecho ambíguo da legislação brasileira, os governantes tenham devolvido parte do "favor" que a emissora faz enquanto veículo de comunicação de massas.

Luís Inácio (300 Picaretas)

A música do grupo Os Paralamas do Sucesso, "Luís Inácio (300 Picaretas)" (batizada a partir de uma frase de Lula em que ele dizia que a Câmara são alguns homem honrados e uma maioria de 300 picaretas), lançada em 1995, fazia protestos sobre a política brasileira, mencionando os anões do orçamento e a corrupção geral. O deputado mineiro Bonifácio Andrada se indignou, vetou a música em um show em Brasília e lançou um protesto no Congresso, querendo proibir a canção (o que a imprensa logo considerou anticonstitucional). O processo não deu em nada,apenas vetaram a exibição de "300 Picaretas" em rádios e lojas de discos.

A polêmica toda ajudou os Paralamas a voltarem para os holofotes após um período obscuro.

Documentário "Di Cavalcanti", de Glauber Rocha

O documentário "Di Cavalcanti" (1976), um curta de 18 minutos realizado pelo cineasta Glauber Rocha numa homenagem ao pintor brasileiro Di Cavalcanti (1897-1976), por ocasião de sua morte, teve sua divulgação no Brasil proibida judicialmente a pedido da filha de Di. No filme, foram incluídas algumas cenas do velório de Di no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, bem como de seu enterro. Segundo matéria publicada na Folha de São Paulo,[3] o sobrinho de Glauber, João Rocha, teria driblado a proibição colocando o vídeo na Internet em provedores fora do Brasil, para o internauta baixar livremente).

Liberdade de Imprensa

Em vários momentos a chamada liberdade de imprensa é questionada. Muitas reportagens recebem censura prévia por serem muito sensacionalistas e, em várias vezes, inventadas. No entanto, existem alguns casos um pouco controversos.

Em outubro de 2002 o jornal Correio Braziliense é proibido de publicar, com possibilidade de busca e apreensão de eventuais exemplares já impressos, uma matéria que divulgaria trechos de escutas telefônicas de funcionários do "alto escalão" do governo distrital de Brasília. De acordo com o jornal, tais pessoas estariam envolvidas com processos ilegais de loteamentos de territórios. Em protesto, o jornal publicou matéria alegando ter sido censurado e, no dia seguinte, seus presidentes de redação demitiram-se. [2]

Censura interna nas produções da Rede Globo

Em pelo menos duas ocasiões, a Rede Globo de Televisão, teria praticado censura em relação a suas próprias obras de ficção (como novelas e minisséries).

Roque Santeiro

Segundo declaração do ator negro Tony Tornado, incluída no documentário A negação do Brasil (2000), do cineasta Joel Zito Araújo (que denuncia o racismo na televisão brasileira),[4] a novela Roque Santeiro (1985), líder de audiência na época, teria tido três finais gravados pela emissora. A personagem Viúva Porcina (de Regina Duarte) terminaria envolvida num romance com três diferentes personagens masculinos - com Sinhozinho Malta (Lima Duarte), com Roque Santeiro (José Wilker) e com o capataz Rodésio (Tony Tornado). A assessoria de imprensa da emissora, na época, divulgou no entanto que apenas dois finais haviam sido filmados - com Lima Duarte ou José Wilker. A admissão da existência deste terceiro final, com um ator negro, teria sido censurada pela emissora.

Presença de Anita

A minissérie Presença de Anita (2001), com Mel Lisboa e José Mayer, que trata da relação amorosa entre um cinquentão e uma adolescente menor de idade, foi censurada no DVD lançado pela Globo Vídeo. A minissérie não revelava a idade exata de Anita, mas sugeria algo entre 15 e 17. A cena em que o personagem Nando (José Mayer) descobria que Anita (Mel Lisboa) era menor, ao mexer em sua carteira de documentos, foi cortada do DVD lançado em 2002, assim como todas as demais cenas posteriores a esta, que faziam qualquer referência a esta descoberta. No DVD, Anita tem 18 anos. Não há informações disponíveis sobre qualquer justificativa da Rede Globo ou da Globo Vídeo para o episódio, sejam explicações de natureza comercial (como dificuldades de exportação para este ou aquele país) ou como resultado de pressões de espectadores ou de grupos conservadores da sociedade. Outra cena cortada de Presença de Anita que o autor (Manoel Carlos) não quis mostrar, foi que Anita (Mel Lisboa) vai até uma mecânica e todos ficam olhando suas partes intimas ao subir no carro. A Globo alegou que essa cena não ia ao ar na quinta pois, poderia ser muito pesada, o horário era muito cedo e poderia haver crianças neste momento. Outra cena em que os fãs não viram no DVD foi que Lúcia (Helena Ranaldi) pega a roupa do marido e sente o cheiro forte do perfume de Anita (Mel Lisboa). Ela a joga no chão e chora em seu quarto.