Relatos de um garoto de programa

20 de Outubro 2009 as 22:21
Garoto de programa
Foto: DVG

"Sempre fui um cara que se preocupava com a aparência. Há um tempo atrás me envolvi com fotografia - fiz fotos e fui fotografado em poses mais sensuais.

Nessa época conheci algumas mulheres e me envolvi sexualmente. Muitas me falavam que se eu fosse garoto de programa iria me dar bem. E isso ficou na minha cabeça, até que resolvi arriscar".

Esse é o relato de Daniel Maia, 30, que começou a prestar o serviço de acompanhante há três anos. Em muitos casos, ele não chega a fazer o programa de fato, apenas serve de companhia em festas, workshops, casamentos, reuniões ou mesmo na balada, e cobra entre 200, 250 e 300 reais, para ficar uma, duas ou três horas, respectivamente, em casa ou no motel.

Conforme ele mesmo diz, elas o contratam só como um acompanhante por várias razões. "Noivas, solteiras ou casadas, para fazer ciúmes ao ex, mostrar que não estão sozinhas ou até porque são lésbicas e querem passar por heterossexuais para seus parentes e amigos", diz.

Em entrevista ao Vila Dois, Daniel (http://danspvip.blogspot.com)revela alguns detalhes desses encontros, com mulheres de várias faixas etárias, entre 18 até 50 anos, muitas delas sozinhas por opção em busca de aventuras sexuais, e mulheres casadas, com vontade de experimentar algo a mais.

Qual é o perfil das mulheres que você atende?

Os mais comuns são três. Uma mulher nova, bonita, que tem um belo emprego e trabalha muito. E quer alguém para satisfazê-la sexualmente porque todos os homens que se aproximam só a querem por causa da beleza e da sua boa condição econômica, segundo contam elas. As casadas, porque o marido trabalha muito e o casal quase não transa, ou ao contrário, elas têm uma vida sexual ativa com seus maridos e são felizes no casamento, mas sentem vontade de sair com um profissional, têm esse fetiche.

O que geralmente elas mais gostam durante o programa?

Que eu comande a situação. Tem mulher que gosta de fazer sexo anal, oral ou que nunca fez nada disso porque o namorado não gosta ou até mesmo porque elas mesmas não sabem como é, por isso pedem. Entre quatro paredes, com um garoto de programa, elas podem se realizar, fazer tudo que tem vontade mesmo.

Qual foi o pedido mais inusitado que você recebeu?

Transar no banheiro de um avião. Marcamos uma viagem para o Nordeste e aconteceu. Também vou em reuniões de amigas, no máximo quatro, e rola muita coisa. Já aconteceu de mulheres lésbicas me contratarem porque não tinham coragem de marcar com uma amiga para sair e transar, aí me chamaram para ser o carinha que dá o "start" na situação.

Você tem namorada? Nunca se envolveu com uma cliente?

Saio com mulheres muito bonitas e sensuais, ricas, mas elas estão contratando um profissional, tenho que ser profissional a ponto de "inibir" meus sentimentos. Fora que eu já namoro há três anos.

E ela sabe que você é garoto de programa?

Não, e não descofia. Às vezes pergunta porque saio muito, sobre dinheiro. Mas sou formado e tenho minha profissão. Minha renda não vem só dos programas, por isso tenho como provar de onde vem o dinheiro. Sou formado em Administração de Empresas e presto consultoria nesta área. Minha família também não sabe.

Você acha que existe muitos homens dizem ser garotos de programa, mas na verdade usam isso para atrair mulheres?

Já ouvi muitas reclamações de mulheres quando contrataram homens que se passam por acompanhantes profissionais. Muitas disseram que não ficaram satisfeitas sexualmente, pelo contrário, tensas e não chegaram ao orgasmo. Alguns sequer sabiam fazer sexo oral - acho importante, é o que elas mais gostam.

Em alguns desses depoimentos, elas se queixaram de uma situação mais grave?

Sim, uma antiga cliente minha falou que conheceu um garoto de programa na internet e marcou no apartamento em que ele morava. Chegando lá, ela viu que no mesmo lugar moravam outros cinco garotos, também de programa. Ela se recusou a entrar no quarto. Quando isso aconteceu, ele exigiu que ela deixasse o dinheiro porque tinha tomado o tempo dele. Por isso acho importante pesquisar essa pessoa, ver se tem site, blog, ou então marcar antes um almoço e sentir. Claro que não se conhece uma pessoa em um encontro só. Exitem sim, riscos.

Por Juliana Lopes