Muitos anos atrás, quando eu ainda era acadêmica concursada da maternidade do bairro dos Afogados no Recife, logo que iniciávamos o estágio no mês de março era de praxe a cantilena das parteiras mais antigas “..Hum cuidado, três após o carnaval é certo trabalheira dobrada”, é que as maternidades aumentam muito o movimento e uma triste realidade se faz notar, o número de abortamentos, partos prematuros, mortalidade materna avolumam, especialmente gravidez em meninas adolescentes.
Segundo Ehrhardt e Meyer, alguns critérios caracterizam a adolescência: 1) O interesse sexual torna-se parte do dia a dia 2) O adolescente adquire a capacidade de se apaixonar, 3) De ter fantasias eróticas, 4) De se envolver romanticamente com outra pessoa.
Apesar de termos hoje uma gama enorme de informações sobre sexualidade, grandes mudanças culturais, tecnológicas que afetam a vida da população, a educação sexual nas famílias bem como nas escolas não acompanhou pare passo essas mudanças. Há famílias que ainda continua sendo tabu falar de sexualidade, ignorar até o assunto enquanto a meninada já tira de letra, embalados pela mídia e a tecnologia o assunto.
Aliás, sempre e sempre os jovens estão à frente nas informações sobre sexualidade, movidos por uma curiosidade inata, que é alavancada pelos hormônios em franca ascensão, eles buscavam revistas, “a curiada” nas frestas e fechaduras, conversas veladas e etc,etc. Hoje a internet em um piscar de olhos e um click oferecem portas e janelas antes trancadas que se escancaram e revelem o oculto, tornando comum, simplório e banal,educam e deseducam.
Como os pais são os primeiros educadores, hoje mais que nunca é preciso redobrada atenção com os nossos tesouros sem deixar de ser maneiro e amigo.
Alguns destaques sobre gravidez e adolescência, especialmente neste período é bom conhecermos:
Apenas 33% dos jovens usam algum método anticoncepcional na 1ª relação sexual. Isto se deve a fatores próprios ligados a essa fase: Uso limitado de Anticoncepcional, caráter não planejado das relações sexuais, esperando que o relacionamento se torne íntimo, falta de conhecimento, medo que a família descubra, dificuldade de acesso ( esclarecimentos médicos e na família), falta de poder na atitude para negociar, desejo de engravidar.
Esta é uma alerta importante, vez que 15 milhões de adolescentes entre 15 a 19 anos dão a luz a cada ano, corresponde a 10% de todos os nascimentos. A gravidez na adolescência predispõe a uma exclusão social, não que não aconteça nas classes mais elevadas, mas estudos demonstraram que o nível de escolaridade é significativo. Os maiores números de gravidezes e filhos estão entre as adolescentes com baixa escolaridade e menor nível socioeconômico .
O inicio do universo amoroso dos adolescentes é um fato natural, mas a tomada de consciência e responsabilidade da própria sexualidade destas cabecinhas maravilhosas, nos interessa e é da nossa responsabilidade em guiar e orientar.
Um carnaval maneiro, feliz e saudável.