16 DIAS DE ATIVISMO
A VIOLÊNCIA é um fenômeno sócio-histórico que acompanha toda a existência da humanidade e atravessa classe social, etnia, raça, faixa etária e escolaridade, traduzindo-se em atos que, segundo o Centro Latino Americano de Estudos sobre Violência (2009), são realizados individual ou coletivamente visando prejudicar, ferir, mutilar ou matar o outro, física, psicológica, moral, sexual e até espiritualmente.
Embora não seja, em si mesma considerada um problema de saúde, torna-se um importante problema de saúde pública, por afetar a saúde de expressiva parcela da população e por exigir estratégias específicas de enfrentamento. Assim, a assistência aos casos de violência deve ser interdisciplinar e intersetorial, envolvendo Segurança, Justiça, Assistência Social, Trabalho e Saúde.
A violência nas suas várias formas, anualmente vitimizam mais 120 mil pessoas no nosso país, correspondendo à terceira causa de mortalidade geral e a primeira causa de óbito para a população jovem de 5 a 49 anos. A violência contra a mulher é uma das mais prevalentes no cenário mundial, sendo que em alguns países, até 69% das mulheres relatam já terem sido agredidas fisicamente e até 47% declaram que sua primeira relação sexual foi forçada. Os fatores que levam a situação de violência estão relacionados ao uso de álcool e drogas, à baixa idade e escolaridade, desemprego, história de violência familiar, estresse, problemas emocionais, sociedade patriarcal (OMS, 2006).
A Campanha 16 dias de Ativismo – 25 de novembro a 10 de dezembro – pelo fim da violência contra as mulheres é uma campanha exitosa em todo o país, principalmente a partir de 2003 quando a ONG AGENDE e a UNIFEM encamparam a mobilização, em 2007, a SPM- Secretaria Especial de Políticas para Mulheres também se engajou. Antes, só acontecia de forma fragmentada, mas hoje ela está interiorizada com 59% dos eventos com participação também da ABM- Associação Brasileira das Mulheres.
Este ano, o tema está focado nas chamadas violências “sutis” ou seja, atos de violência moral, psicológica e de controle econômico e de sociabilidade, entre outros, considerados “normais” ou “naturais”. Nelas temos a dor da alma, do espírito, da dignidade com consequências tão ou mais graves como as causadas pela violência física ou sexual.
A Lei Maria da Penha, apesar da resistência na sua aplicação, tem contribuído sobremaneira para o enfrentamento dessa situação considerada flagelo social.