29/04/2008 - 17h52 Atualizada em 29/04/2008 - 18h00 O Imparcialwww.oimparcial.com.br
O quilo do arroz aumentou em torno de 20% na venda a varejo da capital. Os preços do grão começaram a subir há 15 dias e estão equiparados em feiras livres, pequenos e grandes estabelecimentos comerciais.
Descontentes, os consumidores tentam abater os prejuízos substituindo a marca do arroz consumido para outro mais barato e até de qualidade inferior. Outros já estão diminuindo a quantia do grão no cardápio diário. A alta parece ser uma conseqüência local da crise mundial de escassez de arroz, mas também pode ser uma especulação do mercado para obter vantagens financeiras.
“Os clientes reclamam muito, e embora pareça lucrativo para o varejista, notamos certa diminuição nas vendas”, relatou Luiz Carlos, que trabalha como atendente de um mercadinho no João Paulo.
Ele apontou o preço de marcas mais baratas, antes comercializadas a R$ 1,10 o quilo, que hoje custam R$ 1,30 ou até R$ 1,35. O arroz longo e fino do tipo 1, antes vendido a R$ 1,50, hoje pode ser encontrado até a R$ 2. Mas o consumidor atento e com disposição para pesquisar pode obter o quilo do grão de melhor qualidade entre R$ 1,70 a R$ 1,80.
Na tentativa de contornar os prejuízos no bolso, alguns consumidores optam por consumir menos do grão no cardápio diário. É o caso da dona de casa Maria Madalena Melo, 61, que lamentou o aumento dos preços, segundo ela abusivo.
“É absurdo. Com cinco filhos e seis netos para alimentar, o jeito é fazer dieta. Em vez de cozinhar dois quilos de arroz, hoje só cozinho um quilo para o almoço”, contou Madalena.
Mudança de Hábitos Outra estratégia para fugir do prejuízo é a seguida pelo professor Biné Coelho, 49. “A primeira alternativa é mudar para uma marca mais barata, mas de qualidade semelhante ao produto antes consumido”, disse.
O professor relacionou a alta de preços a uma possível especulação na venda a varejo, devido à divulgação nacional da escassez do grão no país.
Os varejistas se defendem.
“Não temos o interesse de aumentar o preço, senão perdemos clientes para a concorrência onde o produto esteja mais barato. O arroz está mais caro porque o distribuidor está repassando mais caro”, explicou o feirante Ednaldo de Carvalho, cuja banca localizada na feira do João Paulo oferta o quilo do arroz a R$ 1,80.
“Muita gente hoje leva apenas ¼ [do quilo] para casa. Por isso compramos pouco arroz industrializado para vender, é menos vantajoso”, disse Carvalho.
Na tentativa de esclarecer a alta dos preços, a reportagem tentou entrar em contato com a Associação Maranhense de Distribuidores e Atacadistas (Amda), órgão que representa a classe atacadista no estado. Não obtemos resposta até o fechamento dessa edição.