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Artesanato em argila garante tradição artesanal em comunidade de Pedro II

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Artesanato em argila garante tradição artesanal em comunidade de Pedro II

Técnicas transmitidas de pai para filho, transformam o artesanato produzido no interior em arte

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03/06/2008 - 14h04
fonte Mayara Bastos Jornal Meio Norte



O artesanato piauiense retrata os costumes, a realidade e a história de um povo rico e miscigenado, cheio de histórias e emoções para registrar. Técnicas transmitidas de pai para filho, transformam o artesanato produzido no interior em uma forma de expressão mais usual de uma família que lida diariamente com matérias-primas simples, como a argila e as transforma em arte.

A tradição herdada de família é mantida graças a dedicação de Maria da Luz Gomes, uma das artesãs mais antigas do município de Pedro II. O trabalho com argila, ela aprendeu quando ainda tinha12 anos na zona rural da cidade, na comunidade Formiga.

“Foi uma coisa que aprendi com meus avôs. Desde pequena já fazia umas peças pequenas de argila, mas como uma forma de experimentar”, contou. Mãe de seis filhos, a artesã de 50 anos, sempre procurou ingressar seus filhos na atividade artesanal.

“Nunca obriguei, mas desde pequenos eles observavam meu trabalho e hoje minha filha de 13 anos já esculpe alguma peça por diversão e passa-tempo”, afirmou, lembrando ainda que além do artesanato, o incentivo é dado para os estudos.

Com um trabalho diferenciado através das peças com toques brancos de argila, Maria da Luz, que mostra com orgulho cada peça, explica que divide seu dia entre as duas atividades: cuidar da família e esculpir peças. “Apesar de passar mais tempo com o meu artesanato também tenho algumas obrigações em casa”, disse.

Por isso, ela acorda todos os dias às cinco horas da manhã para colocar a mão na massa. “Como fazer as peças dura o dia todo tenho que acordar cedo para preparar a argila. Mas é com muito prazer que faço isso em todo amanhecer”, destacou. O artesanato, segundo ela, sempre foi muito presente em sua vida. “Ainda lembro minha primeira peça que foi um jarro bem simples e pequeno. Foi como tivesse sido uma grande conquista”, recordou.

Hoje, a artesã perdeu a conta de quantas peças já produziu, desde quando aprendeu “ a se sujar com a massa”. E afirmou: “Enquanto eu puder levantar um pote e mexer na argila vou continuar trabalhando”. As mãos de Maria da Luz estão acostumadas às formas, moldam e aprumam o barro que se transforma em potes, moringas, animais, típicos de sua comunidade e outras peças decorativas.

Mesmo peças surgidas por mãos jovens, como a de sua filha, o artesanato consegue imprimir um traço antigo do ofício de artesão. “Agora, por mais que o tempo passe sempre o artesanato será o mesmo. Cada um pode até inventar algo novo, mas a tradição familiar é muito forte. Em nossa comunidade o traço branco nas peças é uma característica que não conseguimos fugir”, analisou.
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