Vinte e uma pessoas, todas funcionárias da Associação Batista Beneficente e Missionária (Abbem), organização não-governamental sediada no bairro Parquelândia, viveram momentos de terror, no fim da manhã de ontem. Foram feitas reféns, por cerca de uma hora e meia, por dois irmãos assaltantes, armados de pistola e revólver.
O prédio, localizado na esquina das ruas Padre Guerra e General Piragibe, foi invadido por volta de 10h30. Informada da ocorrência pelo esposo de uma refém, por volta das 10 horas, a Polícia chegou rapidamente ao local. O cerco foi montado e a área isolada. A negociação com os bandidos foi feita pelo subcomandante do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), tenente-coronel PM Júlio Aquino. Próximo do meio-dia, com a presença do advogado Carlos Oliveira no local, os bandidos acabaram se rendendo aos policiais militares e todos os reféns foram libertados ilesos. Nenhum tiro foi disparado.
Os irmãos Reginaldo de Carvalho Barros, 29; e Ronaldo de Carvalho Barros, 31, foram encaminhados numa viatura do Comando Tático Motorizado (Cotam) à Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) da Polícia Civil, na Aldeota, onde foram autuados em flagrante pelo delegado titular da especializada, Fábio Facó. As armas usadas pela dupla foram apreendidas.
Logo em seguida à rendição dos bandidos, algumas das vítimas saíram rapidamente da associação e evitaram falar com a Imprensa. Bastante nervosa e trêmula, uma refém chegou a ser atendida por uma equipe de paramédicos em uma ambulância do Samu. Trêmula, a mulher não quis identificar-se. Disse apenas que os bandidos não haviam usado de violência física.
Operação
O seqüestro começou como um assalto. Quando as primeiras patrulhas chegaram ao local, os assaltantes mantinham os reféns sob a ira das armas e faziam uma ‘limpeza’, roubando dinheiro, carteiras, bolsas, celulares e outros objetos. Quando descobriram a chegada da Polícia, fizeram as pessoas de reféns. Policiais do Comando Tático Motorizado (Cotam), Força Tática de Apoio (FTA), Ronda do Quarteirão e da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) foram chamados, além de um helicóptero da Ciopaer. O comandante do policiamento da Capital, coronel Sérgio Costa, chefiou pessoalmente toda a operação policial.
Imediatamente, o quarteirão da Rua General Piragibe, entre a Avenida Jovita Feitosa e a Rua Padre Guerra, foi isolado. Curiosos, Imprensa e apreensivos parentes dos reféns acompanharam a movimentação policial de longe. O tenente-coronel Júlio Aquino negociou a libertação dos reféns, através do interfone e por um celular. Reginaldo e Ronaldo queriam um veículo e passagem livre para deixar o local, levando, pelo menos, um refém.
O subcomandante do BPChoque ponderou sobre as conseqüências do ato e os bandidos decidiram se entregar, mas exigiram a presença do advogado deles. Cláudio Oliveira chegou minutos depois. Ele disse que foi ao local a pedido de um colega de profissão, que é o advogado da dupla.
De acordo com o tenente-coronel Júlio Aquino, os bandidos teriam dito que estavam enfrentando dificuldades financeiras e, por isso, resolveram praticar o assalto, que acabou se transformando em seqüestro. Bem vestidos, eles não despertaram nenhuma suspeita ao chegarem à ONG e entrarem no prédio se passando por funcionários. A ação dos ladrões foi toda filmada pelas câmeras do circuito interno. Ronaldo de Carvalho já responde por assalto. O irmão não tinha antecedentes criminais.