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Caos no transporte urbano deixa pessoas sem ter como voltar para casa em Fortaleza

Caos no transporte urbano deixa pessoas sem ter como voltar para casa em Fortaleza

Dezenas de pessoas ocupavam os pontos de ônibus da Capital à espera de transporte

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Dezenas de pessoas ocupavam os pontos de ônibus da Capital à espera de transporte
GREVE GERAL
Caos no sistema de transporte urbano deixa pessoas sem ter como voltar para casa em Fortaleza
07/05/2008 - 15h35 Atualizada em 07/05/2008 - 15h44
fonte Diário do Nordeste www.diariodonordeste.com.br



Como vou voltar para casa? Esta certamente foi a pergunta feita pelos fortalezenses ao sair do trabalho. Com a greve dos trabalhadores do transporte coletivo, os pontos ficaram lotados de pessoas à espera dos ônibus que ainda circulavam. Mas quando os veículos paravam, a decepção: quase todos já estavam superlotados. Sinal de mais espera pela frente.

‘‘Quando eu vim de manhã estava tudo normal. Todo mundo foi pego de surpresa e agora não sei como nem que horas vou chegar’’, lamenta Fátima Moura, que mora no Bairro Canindezinho. A vendedora era uma das dezenas de pessoas que ocupavam as ruas do Centro em busca de algum transporte para voltar para casa.

Outro grupo de pessoas contou que saiu a pé da Aldeota até a Avenida Imperador para achar algum meio de voltar para o Bairro Bom Jardim. ‘‘Ficamos andando de um lado para outro, sem saber o que fazer’’, ressalta o segurança Raimundo Nonato dos Santos.

O jeito para muita gente foi apelar para outras alternativas para sair do lugar. Nas ruas, não era difícil observar a presença de kombis e até de carros de passeio fazendo transporte clandestino. Alguns mototaxistas aproveitaram a situação para cobrar preços abusivos pela corrida. ‘‘Um mototaxista pediu R$ 12 reais para me levar do Terminal da Parangaba para o do Siqueira, é um absurdo’’, reclama um jovem que preferiu não se identificar.

Com a paralisação dos ônibus, o fluxo de véiculos ficou maior do que em dias normais. Entre 18 e 20 horas de ontem, foram registrados diversos pontos de congestionamentonas avenidas Aguanambi, Pontes Vieira, Treze de Maio e Antônio Sales.

Um das situações mais críticas foi na Avenida Carapinima. Centenas de pessoas que saíam do trabalho ou das aulas na universidade ocupavam toda a calçada do Shopping Benfica, sem qualquer perspectiva de quando iriam sair dali. O excesso de veículos e as obras do Metrofor dificultavam ainda mais o fluxo de veículos, tornando o trânsito lento na avenida.

EM 2001
Greve marcada por confrontos e depredação de veículos

A última greve dos motoristas de ônibus, data de maio de 2001. Na época, numa das propostas, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará propôs aumentar o salário de motorista de R$ 617 para R$ 650 e o do trocador, de R$ 370 para R$ 390. O vale-refeição aumentaria em 5%, de R$ 2 para R$ 2,10. Enquanto os motoristas queriam 10% de reajuste e R$ 2,80 de vale-refeição.

O movimento foi todo marcado por pneus furados, pára-brisas e vidros laterais quebrados, ônibus depredados e até queimados, além de muita insatisfação dos usuários do sistema. Por muitos momentos também, os manifestantes impediram tanto a entrada como a saída dos ônibus dos terminais e o livre trânsito desses pelas ruas e avenidas da Capital. O uso da obstrução de grandes vias de Fortaleza com os carros danificados foi outra tática usada pelos grevistas.

Ainda marcaram o período, confrontos entre os manifestantes e a polícia, veículos do transporte alternativo lotados e até passageiros deitados no chão dos terminais à espera dos poucos coletivos que permaneciam circulando.
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