Seguindo a tendência nacional, o Ceará bateu mais um recorde ao atingir a marca histórica de 21.112 empregos gerados de janeiro a julho deste ano. Esse resultado é praticamente o dobro do alcançado em igual período de 2007, quando foram assinadas 10.755 carteiras, e quase 90% superior ao recorde anterior, de 11.116 vagas, em 2002. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Liderança no Nordeste
Somente no mês de julho, foram criados 10.629 postos de trabalho — resultado da diferença entre 36.363 admissões e 25.734 desligamentos. Isso representa uma alta de 11,1% sobre junho e de 67% sobre julho de 2007. Foi o maior saldo registrado na região Nordeste e o quinto do País.
Com esse resultado, o Ceará ampliou seu estoque de empregos formais em 1,51% e marcou o seu melhor desempenho na série histórica do Caged, iniciada em 1998.
Bom momento na economia
Na avaliação do diretor de Estudos e Pesquisas do IDT (Instituto de Desenvolvimento do Trabalho), Júnior Macambira, os recordes refletem o bom momento da economia. ´Estamos vendo um País estabilizado, com investimentos em obras estruturantes de importância, que acabam gerando mais contratações e aumento da formalização. Ou seja, não são apenas mais empregos, mas também empregos de melhor qualidade´, afirma.
Segundo ele, a expansão do mercado de trabalho no Ceará deve ser ainda mais acelerada do que a média nacional. ´Enquanto o MTE trabalha com uma expectativa de ampliação de 6% a 6,5% do estoque [de empregos] este ano, no Ceará, acreditamos que pode chegar a 9%´. Se continuar no ritmo atual, acredita que o Estado poderá ter uma geração recorde de 40 mil vagas ao final do ano, já considerando o aquecimento no segundo semestre.
A indústria de transformação, por exemplo, já dá sinais de retomada, liderando a geração de empregos em julho, com 4.377 novas vagas no Estado. Em seguida, aparecem a construção civil (1.729) e os serviços (1.704). São esses dois setores que encabeçam o ranking, se considerado todo o período entre janeiro e julho, com a criação de 7.594 e 6.526 novos postos, respectivamente. A indústria ocupa a terceira posição, com 6.490 vagas.
Para Júnior Macambira, nem mesmo os problemas enfrentados pela economia este ano, como juros e inflação, são capazes de arrefecer o mercado de trabalho. ´Este é um ano singular. Os números não foram afetados de forma representativa.
A geração de empregos foi mais concentrada na região metropolitana. Somente a capital foi responsável por 15.241 novas vagas nos primeiros sete meses do ano. Serviços e a construção civil foram os setores que mais se destacaram, com a criação de 6.980 e 4.617 vagas, respectivamente.
Para Inácio Bessa, assessor técnico e consultor na área de pesquisa de mercado da SDE (Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Município), vários fatores contribuem para a ampliação da oferta de emprego, mas ressalta dois: a intensificação das ações governamentais na qualificação profissional, ´que amplia a possibilidade de ingresso no mercado de trabalho´, e as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal, que deu impulso especial à construção civil.
De acordo com Bessa, entre dezembro de 2001 e o mesmo mês de 2004, o saldo acumulado de empregos formais em Fortaleza foi da ordem de 45 mil pessoas. Já no período de dezembro de 2004 até junho deste ano, cerca de 89 mil empregos foram gerados. Entretanto, ele pondera que, apesar do significativo aumento no número de postos de trabalho, ainda há insuficiência. Apesar de ter chegado a sua menor taxa desde 1996 (11,48%), o desemprego ainda atinge mais de 120 mil fortalezenses.
DESTAQUE RURAL
País também bate recorde em julho
Brasília. O Caged de julho registrou a abertura de 203.218 empregos com carteira assinada no País, o melhor resultado para o mês da série histórica, iniciada em 1992. O resultado é 60,02% superior ao verificado em julho do ano passado, quando foram abertas 126.992 vagas.