O fato de ser o segundo time em termos de arrecadação e presença de público na Série B do Campeonato Brasileiro não se reflete nas finanças do Ceará Sporting. É que 51% de tudo que o clube arrecada fica retido para o pagamento das taxas existentes, como arbitragem, FCF, quadro de arbitro etc., além das intermináveis causas trabalhistas, uma herança maldita deixada para o atual presidente Evandro Leitão pelas últimas administrações do clube.
Na estréia contra o Juventude, foram descontados por determinação do Tribunal Regional do Trabalho a importância de R$ 30.645,43; diante do Brasiliense, R$ 12.650,05; frente ao América, R$ 31.836,50. No jogo Ceará 2x2 Bahia, ocorreu o maior desconto até aqui: R$ 38.836,50. O total subtraído da arrecadação do Vozão somente pela Justiça foi de R$ 113.825,93, numa média de R$ 28.456,48.
Para que o leitor tenha uma idéia da sangria nos cofres de Porangabuçu, da renda bruta de R$ 598.890,00 (média de R$ 149.722,00), o clube ficou apenas com R$ 292.277,98 (média R$73.069,49), ou seja, 48,9%. Com isso, nada menos do que R$ 306.612,02 ficaram em poder de terceiros. Essa quantia praticamente daria para quitar uma folha apenas do elenco, sem funcionários, comissão técnica etc.
Para fazer face a essa defasagem, o Vozão tem buscado outras formas de arrecadar. Uma delas e através das notas fiscais doadas pela torcida. O Ceará já faturou mais de R$ 30 mil nos últimos três meses: R$ 7.400,00 (março), R$ 9.700,00 (abril) e R$ 13 mil (março). Conforme o coordenador comercial do clube, Fred Guedes, a participação da torcida é tão empolgante nessa campanha que o Ceará está tendo dificuldades para contar tantas notas recebidas. Estima-se que tenham sido doados mais de R$ 4 milhões em notas fiscais de maio para cá e que ainda não foram contabilizadas. No último sábado, o movimento Ceará Unido realizou um mutirão em Porangabuçu para agilizar a contagem. Outra forma de compensação é a contribuição de conselheiros.