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Cearense tem 2º pior rendimento médio do País

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Cearense tem 2º pior rendimento médio do País

O rendimento do trabalhador acima de 10 anos no Estado é 42,78% menor do que a média nacional

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19/09/2008 - 16h22
fonte Diário do Nordeste www.diariodonordeste.com.br



Apesar dos avanços recentes, o Ceará continua patinando no tocante à renda da população. O rendimento médio mensal de todos os trabalhos das pessoas de dez anos ou mais ocupadas no Estado chegou a R$ 547, no ano passado — trata-se do segundo pior valor entre as 27 unidades da federação.

O montante é 42,78% menor do que a média nacional, de R$ 956, e supera apenas a cifra registrada no Piauí, de R$ 546. Na outra ponta, aparece Brasília, onde os trabalhadores ocupados ganham, em média, R$ 1.970. Se não está no topo do ranking, pelo menos registra crescimento nominal (sem considerar a inflação) o rendimento do trabalhador cearense. Em 1997, era de R$ 231,00. Ou seja, em dez anos, aumentou nominalmente 136,7%. Em 2006, a renda média mensal do trabalhador cearense ocupado chegou a R$ 526. Em 12 meses, elevação foi de 4%.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2007), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ´A pesquisa apresenta melhora em praticamente todos os indicadores. Apenas alguns decresceram, mas a maioria dos índices de peso melhoraram´, resume Francisco José Moreira Lopes, chefe da Unidade Estadual do IBGE no Ceará. De acordo com ele, embora o Instituto não faça análise dos dados, é possível, empiricamente, creditar a melhora de rendimento do trabalhador aos reajustes salariais concedidos acima da inflação, de 2006 para 2007, com ganhos de salário. Nacionalmente, o rendimento médio real dos trabalhadores cresceu 3,2% em relação a 2006 e chegou a R$ 956. Esse indicador atingiu seu maior nível desde 1999, mas ainda está 5,0% abaixo da remuneração média recebida pelos trabalhadores em 1997 (R$ 1.011,00). O IBGE não disponibilizou o rendimento real por unidade da federação.

Em relação a 2006, as maiores taxas de crescimento foram nas regiões Centro-Oeste (8,0%) e Norte (5,7%). No Nordeste, Sul e Sudeste, as taxas foram de 2,2%, 3,8% e 1,9%, respectivamente. Em 2007, o menor rendimento médio real mensal de trabalho das pessoas ocupadas foi observado no Nordeste (R$ 606,00) e o maior valor no Centro-Oeste (R$ 1.139,00). A segunda tem 1,9 vezes o rendimento da primeira. Segundo Cimar Azevedo, também do IBGE, o brasileiro registrou em 2007 o terceiro ano consecutivo de ganhos reais no rendimento médio. Entre as regiões, destaca-se o desempenho do Centro-Oeste e mais especificamente do Distrito Federal, por causa da alta no rendimento do funcionalismo público, no caso de Brasília, e do agronegócio, em outras regiões.

Apesar dos avanços, diz ele, quase 60% da população ainda ganha menos de dois salários mínimos. ´A distribuição de renda ainda é injusta. A gente percebe que os empregados ganham, em média, R$ 916; o trabalhador doméstico (tem renda) de R$ 331, mesmo com o salário mínimo de R$ 380 do ano passado; e o empregador chega a R$ 2.857´, explica o especialista.
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