A expansão da fruticultura irrigada, sobretudo em sistema de parcerias entre grandes e médios produtores, está proporcionando ascensão social no meio rural cearense. Uma passada rápida por Limoeiro do Norte confirma empiricamente o que os comerciantes da cidade já sentem no bolso: a força da ascendente classe média rural. ´A cidade das bicicletas hoje é a cidades das motocicletas´, comenta Vandemberk Rocha de Oliveira, gerente de Operação e Manutenção do Distrito de Irrigação Tabuleiro de Russas (Distar).
Para o engenheiro agrônomo, ´hoje, na Chapada do Apodi, tem-se uma classe média rural, sim´. Ele acrescenta que o poder de compra e a melhoria da qualidade de vida da população podem ser mensurados pelo número de motocicletas que circulam na cidade e pela quantidade de mercadinhos abertos. ´Limoeiro ganhou faculdades, tem um Centec´, reforça. Em uma única revenda de motos da cidade, chegam a ser comercializadas 50 unidades por mês. As motos circulam no Vale do Jaguaribe.
O empresário Marcelo Gadelha, da Nolem, concorda com a chamada ascensão da classe média rural. Segundo ele, apesar da crescente mecanização, a fruticultura ainda é um segmento intensivo de mão-de-obra. ´Hoje, você mantém a população no campo, seja empregada diretamente na produção agrícola, seja nas atividades não-agrícolas geradas, como no setor de serviços e no comércio. Isso diminui o êxodo rural e o conseqüente inchaço das metrópoles´, comenta.
Boa parte da revolução no campo deve-se, conforme Oliveira, ao amadurecimento da visão empresarial do próprio agricultor, que vem aprendendo a apurar custos, precificar os produtos, entre outros. ´O pequeno produtor está mais consciente no negócio em si. O sítio não é mais visto como lazer de fim de semana´, diz. O conhecimento mínimo sobre a questão gerencial é necessário, uma vez que a agricultura é uma atividade de risco. ´Se fosse uma carteira de ação na Bolsa de Valores, eu diria que é de alto risco, pois depende do clima, das pragas, dos custos e outros fatores´.
Consumo potencial
Ainda longe de chegar ao paraíso, a classe média rural no Ceará responde pelo ´boom´ do consumo de eletrodomésticos, eletroeletrônicos (principalmente aparelhos celulares), veículos (sejam eles utilitários ou de passeio) e até pelo aquecimento dos negócios da construção civil. Segundo o estudo ´Brasil em Foco — IPC Target 2008´, da Target Marketing, este ano, o consumo urbano total no Ceará deve somar R$ 45,8 bilhões, ao passo em que o rural atingirá R$ 4,0 bilhões.
Conforme a pesquisa da Target, no ranking dos 500 maiores municípios brasileiros em potencial de consumo, o Estado apresenta pelo menos oito representantes. Liderada por Fortaleza (7ª colocada nacional), a participação cearense inclui Caucaia (139º ), Juazeiro do Norte (171º), Maracanaú (193º), Sobral (228º), Crato (336º), Iguatu (415º) e Maranguape (445º lugar). (SC)
FIQUE POR DENTRO
Campo aparece como celeiro de oportunidades
As grandes levas de retirantes rumo às cidades foram impulsionadas pela expansão dos empregos na construção civil e na indústria nos anos 60 e 70. A recessão nos anos 80 e os novos métodos industriais na década seguinte reduziram a procura pela mão-de-obra barata, mas pouco qualificada, que vinha do campo.
Hoje, a agricultura moderna corta mão-de-obra no mesmo ritmo com que aumenta a produtividade. No entanto, com mesma velocidade com que desemprega, o campo brasileiro vem ficando cada vez mais próspero, desenvolvendo outras atividades produtivas.
O Brasil é o maior exportador mundial de soja e suco de laranja, o terceiro em carne e frango. Só perde na produção de grãos para os Estados Unidos e a China.
CONSUMO RURAL
4 bi de reais é o quanto deve movimentar o consumo rural no Ceará este ano, contra R$ 45,8 bilhões na área urbana, segundo o estudo ´Brasil em Foco IPC Target 2008´