Proprietários de casas lotéricas, de farmácias e padarias de Fortaleza voltam a se ressentir da escassez de moedas no comércio. O hábito crescente de poupar o troco das compras do dia a dia no cofrinho, aliado ao recente reajuste do preço do jogo da loteria Mega Sena, de R$ 1,50 para R$ 1,75, está reduzindo o volume de moedas de R$ 0,05, R$ 0,10 e de R$ 0,25, em circulação.
Diante da dificuldade de devolução de troco aos clientes, alguns comerciantes estão recorrendo aos flanelinhas nos semáforos, aos vizinhos de loja e até às bancas do jogo do bicho no Interior, para conseguir moedas. ´Já cheguei a trocar R$ 10,00, em cédula, por R$ 9,00, em moedas de R$ 0,25, para não ficar sem troco e perder vendas´, revelou o dono da casa lotérica JPM Loterias, Joaquim Pinheiro Cavalcante.
´Amanhã mesmo vou ao Interior trocar dinheiro por moedas com cambistas do jogo do bicho´, acrescentou Cavalcante, diante da necessidade semanal de R$ 400,00, em moedas de R$ 0,25, para atender à clientela da loteria. ´Moeda hoje em dia está muito difícil´, reforça também a caixa da casa lotérica Boa Esperança, Francisca Érica Castro.
Segundo ela, para não perder clientes por falta de troco, a solução tem sido recorrer a vizinhos comerciantes, padarias, lojas de utensílios de plásticos, que vendem produtos de menor valor e que recebem muitas moedas. ´As moedas de R$ 0,05, de R$ 0,10 e de R$ 0,25 são as mais difíceis´, enumera.
O empresário do setor de medicamentos e presidente do Sincofarma, Maurício Filizola, informa que as farmácias de Fortaleza também estão enfrentando o mesmo problema da escassez de moedas no comércio. ´Estamos tendo dificuldades para passar troco, sobretudo porque fazemos muitas vendas com entrega em domicílio´, explicou Filizola. Para ele, a saída tem sido a ajuda mútua entre as empresas do mesmo setor, os flanelinhas e ´arredondar as contas, mesmo perdendo alguma coisa´.
Ágio
A escassez de moedas está afetando também comerciantes do Distrito Federal. ´Estamos pedindo a parentes e vizinhos que tragam os cofrinhos recheados dos filhos pra que a gente possa suprir a necessidade de troco´, exclama o lotérico Raul Carlos da Cunha Neto, de Brasília.
A ´estratégia´ de buscar os flanelinhas também está sendo adotada na Capital federal. Aqui, acrescenta Cunha Neto, ´a lei da oferta e da procura não falha: já tem flanelinha cobrando ágio. R$ 8,00 em moedas valem uma nota de R$ 10,00´.
Apesar das reclamações, a assessoria de imprensa do Banco Central diz que o volume de moedas em circulação no País está normal e que a instituição não tem recebido pedidos extras de moedas dos bancos. De acordo com o site do Bacen, 13,46 bilhões de moedas, somando R$ 2,53 bilhões, estão em circulação no País.
A instituição informa também que se o problema for confirmado, tem condições de resolvê-lo em duas semanas. Este ano, o Bacen deve lançar no mercado R$ 1,3 bilhão, em moedas de valores diversos.