28/08/2008 - 11h02 Viviane Menegazzo
Jornal Meio Norte
A professora da Universidade Federal (UFPI) e presidente do PSOL no Piauí, Edna Nascimento, foi internada no última semana, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). A irmã de Edna, Dina Magalhães explicou que o maior problema é que ela sofreu dois aneurismas e que um deles estourou, agravando ainda mais a situação.
“Ela já apresentou alguma melhora. Quando acordou reconheceu os filhos, os familiares, e só teve uma pequena perda motora no pé, mas a situação dela ainda é bem crítica. Ela sente dores de cabeça muito intensa e por conta disso está recebendo uma medicação muito forte, que a mantêm a maior parte do tempo dopada. Mas temos esperança e muita fé de que ela irá se recuperar logo e que sairá dessas sem maiores seqüelas”, explica Dina Magalhães.
Edna Nascimento está internada no Hospital São Paulo e no momento, é assistida pelos médicos Jacinto Lay e Nazareno Brito. “Os médicos explicaram que a situação dela é bem crítica, mas que muitas pessoas já conseguiram se recuperar de AVCs, até sem sequelas, então que isso também é possível acontecer com ela. Estamos confiantes e rezando para que tudo dê certo”, afirma a irmã de Edna.
Segundo o neurologista Arquimedes Cavalcante o AVC pode ser desencadeado por vários fatores. O principal fator de risco do AVC é a idade, pois a partir dos 60 anos os riscos aumentam progressivamente. Os outros fatores são capazes de controle, como hipertensão arterial, diabetes, tabagismo e sedentarismo. “O problema é que muitas pessoas só resolvem se cuidar depois de anos sem controle ou depois de tomar um susto. E a pessoa que sofre um AVC ou uma Crise Isquêmica Transitória (CIT), que é um AVC em menor intensidade, aumenta ainda mais a probabilidade de ter uma nova isquemia”, explica.
Um estudo divulgada no último Congresso Brasileiro de Neurologia, mostra que a pessoa que não cuidaram da CIT, 20% terão AVC no primeiro mês, 50% no primeiro ano e 33% em 5 anos. Isto significa que a chance da pessoa ter um AVC, após sofrer uma CIT é nove vezes maior que uma que nunca passou pelo problema. O relator do estudo, Rubens Gagliardi, revela que a solução é: prevenção, cuidados imediatos e identificar com antecedência um micro-infarto ou CIT.
No Brasil, a principal causa de mortes e seqüelas entre adultos é causada pelo AVC. De acordo com Arquimedes Cavalcante a elevada mortalidade por AVC se dá exatamente pelas faltas de cuidado antes ou depois de acontecer a crise. “Os cuidados antes são essenciais para que o AVC seja evitado aliás vale lembrar que o AVC não é hereditário, então o estilo de vida saudável é a melhor prevenção. Já depois que a pessoa tem um AVC ou a CIT pela primeira vez, os cuidados devem ser redobrados pois as probabilidades de uma nova isquemia aumentam muito”, ressalta.
Os cuidados envolvem o controle da pressão arterial, da diabetes, da obesidade, além de acompanhamento médico freqüente e medicação contínua e específica. “O controle é essencial para que novos acidentes vasculares sejam evitados. Com a medicação, acompanhamento constante e adoção de estilo de vida saudável, a vida do paciente pode ser prolongada por vários anos, evitanto-se novas ocorrências”, explica.