Levantamento revela que 16 municípios mantêm escolas em tempo integral. A ampliação do projeto esbarra ainda na falta de infra-estrutura e de apoio, além dos custos elevados. Hoje, O POVO
Embora conte com um repasse maior de recursos federais e tenha sua implantação prevista por lei, a Educação em tempo integral ainda é um desafio para os gestores municipais. Das 184 cidades cearenses, 16 possuem Escolas de ensino fundamental em tempo integral, de acordo com levantamento feito por O POVO e a Central de Dados da Secretaria da Educação do Estado do Ceará (Seduc). A Escola em tempo integral busca propiciar aos alunos um maior tempo destinado à aprendizagem. No entanto, o modelo ainda esbarra na falta de estrutura e de apoio, além dos custos elevados
A doutora em Educação Eloísa Vidal cita como exemplo uma pesquisa realizada no fim da década de 90 que chegou à seguinte conclusão: das quatro horas de aula diárias, o aproveitamento dos alunos se reduzia a menos de duas horas e meia. O restante era ocupado com um conjunto de atividades que nada tinham de pedagógicas, como fila, chamada e organização da sala de aula.
Além de ampliar a jornada diária de estudos, Eloísa Vidal aponta o reforço Escolar ofertado no contraturno como um dos principais atrativos desse modelo. "O reforço é extremamente relevante para o desempenho Escolar. Muitas famílias não têm condições de auxiliar seus filhos nas tarefas de casa. Quando se leva em consideração que os núcleos familiares têm um grau cultural baixo, só o fato de o aluno permanecer na Escola já é algo positivo por si, por causa desse déficit cultural", afirma.
Para a especialista, a implantação do novo modelo tem de ser realizado de forma progressiva, à medida em que a quantidade de alunos diminui.
A parceria com o Governo do Estado é muito importante. "O Estado dispõe de muitos equipamentos. O apoio não precisa ser apenas financeiro, mas pode-se formar um arranjo produtivo educacional local. É difícil bancar (a manutenção da Escola) só com recursos do Fundeb por causa da infra-estrutura física. Isso é um entrave, pois é algo que demanda um investimento inicial alto", explica.
alfabetização
A falta de apoio às Escolas em tempo integral por parte da Seduc é reconhecida pela secretária da Educação, Izolda Cela. "Da parte do Estado não temos nenhum tipo de apoio a esse tipo de ação. O que nós temos de apoio efetivo é o Programa alfabetização na Idade Certa (Paic). Para que uma Escola tenha resultados desejáveis, a criança tem de se alfabetizar bem. Essas ações do município em tempo integral terminam sendo uma coisa pontual, que não têm uma intervenção mais sistêmica na gestão. Termina que, muitas vezes, mais do mesmo não resolve. Se for mais do mesmo, não adianta".
Para Izolda, é preciso garantir que as experiências existentes possam ser reproduzidas. "Os municípios têm muita dificuldade em manter seus equipamentos. A maioria ainda se debate com a melhor oferta de vagas. Não vejo como uma política possível de forma imediata e de forma prioritária. Não sou contra o tempo integral. É muito legal, mas acho que ainda é algo pontual", declara.