13/11/2008 - 09h54 Atualizada em 13/11/2008 - 09h57 Diário do Nordeste
Pouco mais de 24 horas após a morte brutal de dois detentos, queimados vivos dentro de uma cela no Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS), em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, outro assassinato, com requintes de crueldade, foi registrado nas dependências da maior penitenciária do Estado.
O corpo de mais um interno morto foi encontrado por policiais e agentes penitenciários, no fim da tarde de ontem. O achado ocorreu no momento do recolhimento dos detentos às suas celas.
Enrolado em uma toalha banhada em sangue, o cadáver estava junto ao sanitário da cela 101 da Rua (galeria) ´E´ do Pavilhão sete (P-7). A vítima estava com as mãos amarradas para trás e apresentava marcas de golpes de cossoco na cabeça e nas costas, conforme atestaram os peritos.
Segundo o diretor do IPPS, coronel PM Antônio Oliveira, possivelmente, o corpo seria queimado, pois haviam colchões à sua volta. Contudo, os homicidas não teriam tido tempo de praticar a ação, ante a chegada de agentes e PMs.
A vítima, identificada como José Roberto da Silva Oliveira, o ´Beto Caucaia´ ou ´Beto Neguinho´, 33, cumpria pena de 15 anos de reclusão por homicídio e ficava em uma cela da Rua ´G´, local onde dois detentos morreram carbonizados na terça-feira (11). O corpo de ´Beto Caucaia´ foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), de Fortaleza.
O assassinato teria ocorrido logo após o horário de visita aos detentos por familiares, no dia de ontem, iniciado pela manhã e encerrado por volta das 17 horas. O motivo seria o tráfico de drogas. A morte não teria qualquer ligação com os assassinatos da terça-feira.
Com a morte de ontem, subiu para 18 os assassinatos dentro do IPPS este ano. A contagem já supera em quatro os casos registrados em todo o ano passado, que chegaram a 14. Hoje, a maior penitenciária do Ceará abriga 1.255 detentos, mas a capacidade é para apenas 900 internos.
Identificado
Na manhã de ontem, no IML da Capital, foi identificado o corpo do interno do IPPS queimado vivo na cela 169 da Rua ´G´ do P-7, junto com o preso Júlio César Braga da Rocha, 37, na terça-feira. Era Ronilson Dias Carvalho, 25, que cumpria pena de nove anos de reclusão por assalto.