12/05/2008 - 22h17 Mateus Noronha
Jornal Meio Norte
O jornalista Tarcísio Holanda deixou a sua Fortaleza no início dos anos 60. "Fui expulso pelos coronéis da política cearense da época, o governador Virgílio Távora e o deputado Armando Falcão (depois ministro - "nada a declarar" - da Justiça)", diz. Deixou mulher, filhos e foi para o Rio de Janeiro. Com amigos no PCB não demorou a arrumar emprego: Última Hora, Jornal do Brasil... É neste ponto que começa a sua vida de observador dentro dos bastidores da política brasileira, de Jango aos primeiros presidentes civis, depois de mais de 20 anos de regime militar.
Um período que o documentário da TV Câmara "Memórias de Tarcísio – O Repórter" procura resumir em 40 minutos garimpados em mais de 5 horas de entrevistas. Dirigido por Roberto Stefanelli, com edição de imagem de Joelson Maia e arte de Ernani Pelúcio, será lançado dia 13, terça-feira, às 17h00 no Auditório da TV Câmara. Vai ao ar a partir do dia 22, (quinta-feira) às 21h00, com reapresentações no dia 23 (sexta-feira) às 18h00, dia 24 (sábado) às 22h30 e dia 25 (domingo) às 06h30.
Como fica claro neste depoimento, Tarcísio, em alguns episódios, fez mais que ver, ouvir e escrever. Participou. Foi, por exemplo, parte importante no movimento que estancou a tentativa de golpe no governo Ernesto Geisel, o que interromperia a abertura lenta e gradual em direção a democracia e prolongaria os "anos de chumbo". No Rio e em Brasília, foi repórter em várias funções de inúmeros jornais e TVs, nos tempos em que as redações respiravam a fumaça dos cigarros, o ruído incessante das máquinas de escrever e a mistura de medo e ousadia. "Um tempo febricitante", lembra.