O dólar acentua seu recuo na tarde desta sexta-feira (19), após o final da oferta de US$ 500 milhões do Banco Central. Por volta das 15h20, a moeda americana tinha desvalorização de 5,28%, sendo negociada a R$ 1,828.
Nesta sexta, o Banco Central reiniciou os leilões de venda de dólar com compromisso de recompra para tentar conter a disparada da moeda norte-americana, que haviam sido suspensos desde 2003.
Os mercados também repercutem a notícia de um plano de "centenas de bilhões de dólares" anunciado pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, para ajudar os bancos a escapar de suas dívidas, principal causa da atual crise financeira.
Na quinta, o Fed já havia iniciado a injeção de US$ 180 bilhões nos mercados para enfrentar as turbulências aprofundadas pela falência do banco Lehman Brothers e os problemas da seguradora AIG.
Recuo "Todos os preços estavam distorcidos. Eram todos preços de crise", disse Roberto Padovani, estrategista sênior de investimentos para a América Latina do banco WestLB Brasil.
"De um modo geral, é dia de alívio, de recuperação de preço para todos os ativos", disse Padovani.
Impacto na Inflação Segundo analistas, a recente valorização do dólar frente ao real já traz o risco de impacto sobre os indicadores de custo de vida do Brasil e conseqüente pressão sobre a inflação ainda em 2008. Ao longo do mês de setembro, o dólar acumula alta de 18,2%, e chegou ao maior valor desde setembro de 2007.
Segundo o economista Márcio Nakane, coordenador técnico da Tendências Consultoria, "A alta do dólar traz dois impactos importantes: um é a pressão sobre os preços livres, como o dos itens importados, por exemplo. O outro impacto é sobre os preços administrados por índices de inflação como os Índice Gerais de Preços (IGPs)".
Pregão de Quinta Na quinta-feira, o anúncio de que o Banco Central vai oferecer dólares em operações compromissadas permitiu que a moeda norte-americana perdesse fôlego no final do pregão, depois que a escassez de crédito em moeda estrangeira fez o dólar superar R$ 1,96 no momento mais tenso do dia.
A moeda norte-americana fechou a R$ 1,921, com alta de 2,89%. No momento de maior pressão, o dólar chegou a ter alta de 5,03%, para R$ 1,961.