As crianças Ingrid Farias Rodrigues, de sete anos, e os irmãos Miquéias Sousa Melo, de seis anos e Maria Grabriela Sousa Melo, de oito anos, foram envenenadas, ontem, ao mastigar uma planta denominada de hortênsia, mais conhecida popularmente, como “ciúme”.
Ingrid Farias e Miquéias faleceram ainda no começo da tarde de ontem. A menina chegou morta à Unidade Central do Instituto Doutor José Frota (IJF), enquanto o menino não resistiu aos efeitos da substância tóxica, ainda em Caucaia.
As três crianças residiam no Parque Boa Vista, na Jurema. Segundo Neide Lima, mãe de Ingrid, o fato aconteceu num momento em que as crianças se encontravam na Rua Passo a Passo, à altura do número 160.
Segundo Vastila Rodrigues de Oliveira, 20 anos, prima de Ingrid, há suspeita de que as crianças encontraram a planta em algum dos jardins das casas daquele conjunto residencial.
O acidente tomou proporções de tragédia para os moradores da Jurema e, principalmente, para os familiares das vítimas. Os primeiros sintomas tóxicos foram sentidos por Miquéias, com vômitos, convulsões e perda dos sentidos. Ele foi encaminhado ao Hospital Santa Teresinha, em Caucaia, mas chegou à unidade hospitalar morto.
“As informações que temos não são precisas. Mas sabemos que os sintomas entre os três meninos foram muito parecidos, com convulsões e falta de ar”, afirmou Vastila.
O laudo do óbito registrado pelo IJF foi apresentado, ainda no começo da tarde de ontem, pelo Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox). Até o fechamento desta edição, Gabriela permanecia em coma profundo, no IJF.
As hortênsias possuem um princípio ativo, o glicosídeo cianogênico, hidrangina, o que as torna venenosas. Este veneno causa cianose (falta de oxigenação no sangue), convulsões, dor abdominal, flacidez muscular, letargia (sonolência), vômitos e o coma. Tratam-se de espécimes extremamente perigosas quando ingeridas. As principais vítimas são crianças e animais.
Em alguns países da Europa, onde existem plantações de alimentos, é proibido o cultivo de qualquer tipo de hortênsia.