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Crise americana afeta economia do PI

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Crise americana afeta economia do PI

Venda de passagens internacionais caem 20%

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07/10/2008 - 08h17 Atualizada em 07/10/2008 - 11h01
fonte Viviane Menegazzo Jornal Meio Norte



Apesar das tentativas do governo brasileiro em impedir que a crise econômica americana atinja o Brasil, muitos serviços e produtos já estão sendo afetados no país. No Piauí, um dos impactos sentidos foi no setor de viagens. De acordo com Adalberto Rodrigues, gerente de vendas de uma agência de viagens da cidade, a retração no setor já começou, atingindo principalmente os pacotes internacionais.

Ele explica que devido à alta do dólar os pacotes sofreram um aumento de 20% no calor final, provocando um queda significativa nas vendas. “Para as pessoas que já haviam adquirido os pacotes para fora do país e trocado dólares não houve tanto impacto. Mas para quem estava planejando ainda adquirir, os pacote tiveram um acréscimo substancial. Por conta disso, já sentimos uma queda de mais de 20% nas vendas”, explica.

De acordo com o economista Fernando Galvão essa é apenas uma dos efeitos da crise dos Eua no Brasil. Segundo ele a alta nos pacotes de viagem é direta por conta do aumento no preço do dólar. “A algumas semanas atrás o dólar estava custando em torno de um R$ 1,65, hoje ele já atingiu R$ 2,10. Por isso os pacotes de viagens internacional também aumentaram de forma imediata”, explica.

Para ele o processo se dá como uma “cascata”, ou seja, um efeito levando, consequentemente, a outro. Primeiro sobem os preços de todos os produtos importados, o que já é um efeito do aumento da taxa de juros. Com o aumento dos preços, acontece a redução do consumo e a queda das vendas no mercado. E isso provoca a redução nos empregos e nos investimentos em produção.

A crise nos EUA atingiu diretamente o setor de intermediação financeira, que tem a função de transferir recursos dos segmentos que têm dinheiro sobrando para os que estão em déficit. Esse segmento é formado pelos investidores, então a crise atinge diretamente os bancos de investimentos, as seguradoras e os fundos de pensão.

Fernando Galvão explica que tudo começou com um investimento ruim. Os investidores americanos resolveram apostar no mercado imobiliário. Mas esse investimento se mostrou ruim, o que levou várias empresas a sofrer um desequilíbrio econômico em suas finanças. “Com estas instituições em dificuldade o mercado se tornou instável e pouco confiável, afastando investidores e reduzindo o número de investimento no comércio, na produção e no consumo. Ou seja, todo o fluxo econômico do país é prejudicando levando a um recessão”, explica.

EFEITOS A LONGO PRAZO
Para o economista o prejuízo para o Brasil ainda está por vir. “O Brasil enfrentou 26 anos sem crescimento econômico. Em 2007 é que tivemos um crescimento superior a 4%.

Agora em 2008, que seria o ano de consolidação deste crescimento, o mercado internacional é atingido por esta crise, que pode estagnar ou levar a uma queda no crescimento econômico do país”, afirma.
O risco maior para o Brasil está nos investimentos especulativos.

Os investidores retiram seus investimentos dos mercados emergentes e considerados de risco e aplicam em mercados mais estáveis e considerados seguros. Esta fuga de capitais eleva o dólar e desvaloriza a bolsa de valores levando a mesma a cair. Além disso, o Risco País sobe muito pois os investidores começam a especular e considerar risco maior em investir no Brasil.

“Se demorar muito a crise americana pode trazer conseqüências para a economia brasileira até 2010. O ideal é torcer para que este cenário internacional se reverta o mais rápido possível para não gerar grande impacto em nossa economia e travar o crescimento lento e contínuo que estávamos presenciando”, ressalta Fernando Galvão.

VANTAGEM
Uma das únicas vantagens da crise para o Brasil é o aumento das exportações, mas que com a queda de investimentos na produção de mercadorias, pode levar também a uma estagnação neste setor.

“Com a aumento no valor do dólar, caem as importações devido aos altos preços de produtos. Por tabela, os produtos brasileiros se tornam mais atrativos para o mercado externo, provocando o aumento das exportações”, afirma o economista Fernando Galvã
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