Mais de 800 pessoas morreram em Salvador , em seis meses. A população está assustada com o aumento da violência. Um policial militar, que não quis se identificar, diz que está jurado de morte. “Estou jurado, não só eu como outra pessoa da minha família”, afirma.
A revelação foi feita depois que um colega levou cinco tiros quando assistia a uma partida de futebol. Cerca de 15 homens chegaram em um carro e desceram atirando. Além do policial, outras pessoas ficaram feridas. Um aposentado levou quatro tiros e morreu no local.
O motivo do ataque, de acordo com a polícia, seria uma reação de traficantes contra uma chacina ocorrida há menos de um mês em outro bairro, mas um policial militar tem outra versão. “Eles [criminosos] fazem a lista deles de policiais. Eles acham que têm que executar”, revela o policial.
Já a Secretaria de Segurança Pública não acredita que traficantes tenham escolhido pessoas para executar. “Não existe lista. O que existe é uma intensa guerra no tráfico de drogas”, afirmou o secretário de Segurança Pública, César Nunes.
Medo
No meio da guerra, está a população que, durante os confrontos entre policiais e traficantes, tenta se proteger. Até agora, mais de 800 pessoas já morreram vítimas da violência em Salvador. É um aumento de 44% em relação ao primeiro semestre do ano passado.
A ação mais violenta registrada na capital baiana aconteceu há um mês. Sete trabalhadores foram mortos por traficantes em uma das piores chacinas do país. No bar onde ocorreu o crime, os moradores desabafam. Eles estão com medo. “Muda tudo. Tem que fechar tudo cedo”, conta uma senhora.