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Emprego avança no Ceará, mas remuneração é a 2ª pior do País

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Emprego avança no Ceará, mas remuneração é a 2ª pior do País

O Ceará ampliou seu estoque de empregos em 7,06%, mas o trabalhador viu a remuneração média cair

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07/11/2008 - 09h11
fonte Diário do Nordeste www.diariodonordeste.com.br



Mais empregos, menos dinheiro no bolso. O mercado de trabalho formal cearense continuou crescendo em 2007, mas a remuneração dos trabalhadores permanecia como uma das mais baixas do País. Segundo dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), divulgada ontem, em Brasília, pelo Ministério do Trabalho e Emprego, apesar do aumento de 7,06% no estoque de empregos, a remuneração média no Ceará, em dezembro do ano passado, era de R$ 927,34 — a 2ª menor do Brasil, cuja média era de R$ 1.355,89. Somente a Paraíba estava em situação pior, com rendimento médio de R$ 911,10. A maior foi verificada no Distrito Federal (R$ 2.879,34), mas mesmo em estados vizinhos da região Nordeste, os trabalhadores tinham remuneração superior a R$ 1 mil. Para se ter uma idéia, a média em Pernambuco ficava em R$ 1.016,86 e no Rio Grande do Norte, R$ 1.038,19. Em Sergipe, R$ 1.153,06. O que já não estava bom piorou.

O Ceará foi um dos sete estados do País onde a remuneração média caiu. Em dezembro de 2006, o trabalhador formal no Estado recebia, em média, R$ 930,45. Um ano depois, tinha uma remuneração 0,33% inferior, com queda mais acentuada na mão-de-obra masculina (1,79%) — a feminina cresceu 1,56%. Ainda assim, eles ganham quase R$ 100,00 a mais do que as mulheres. Enquanto a média entre os homens é de R$ 972,17, para elas é de apenas R$ 872,84. Isso significa que as cearenses receberam, de modo geral, o equivalente a 89,8% do rendimento masculino. Mas desigualdade é pior a medida que aumenta a escolaridade. Se entre os analfabetos, a proporção era de 75,6%, as mulheres com nível superior completo recebiam o equivalente a 58,9% dos rendimentos de homens com a mesma escolaridade.

Mardônio Costa, analista de mercado de trabalho do Sine/IDT (Sistema Nacional do Emprego/Instituto de Desenvolvimento do Trabalho) atenta que as mulheres pressionaram mais o mercado de trabalho e ganharam mais espaço. Das 20.509 vagas com exigência de nível superior completo, elas ocuparam 68,3%.

Escolaridade maior

É nessa faixa de escolaridade, inclusive, que se deu a maior expansão na contratação: 14,15%, o dobro da média geral do Estado, de 7,06%. ´Com a modernização da economia, as empresas estão exigindo trabalhadores cada vez mais escolarizados´, explicou Costa. O mercado cearense gerou 69.902 vagas ano passado, 2,85% do total nacional. Com isso, o Estado ampliou seu estoque de carteiras assinadas em 7,06% e chegou a 1,059 milhão de postos. Foi a segunda maior alta no Nordeste, sendo superado pela do Maranhão (10,40%).

REFLEXO DA ECONOMIA
Crescimento foi descentralizado

Com exceção dos serviços industriais de utilidade pública, que perderam 1.458 vagas, todos os demais setores, em maior ou menor nível, tiveram desempenho positivo no Ceará. ´Essa horizontalização das contratações mostra um aspecto muito positivo, que nosso crescimento econômico tem sido descentralizado´, observa Mardônio Costa, analista de mercado de trabalho do Sine/IDT (Sistema Nacional do Emprego/Instituto de Desenvolvimento do Trabalho).

Administração pública, comércio e indústria de transformação foram os setores que puxaram a ampliação do emprego formal no Estado. Juntos, concentraram 84% das novas vagas em 2007, conforme a Rais. Na avaliação de Mardônio Costa, o fato de a economia ter crescido puxada pelo consumo explica os resultados. ´Com a oferta de crédito, prazos melhores e promoções no comércio, as pessoas passaram a comprar mais, o que impacta diretamente na indústria e na expansão dos investimentos´, explica. Com o aumento na arrecadação, o poder público também pode contratar mais — foram 31.573 novos empregos, 45,1% do total .

É como um círculo virtuoso, em que as contratações estimulam as compras, que por sua vez demandam mão-de-obra nas lojas e fábricas. Comércio e indústria de transformação geraram foram responsáveis, respectivamente por 20,4% e 18,4% dos empregos com carteira assinada gerados no Ceará no ano passado.

Rendimentos médios

As maiores remunerações estavam nas instituições de crédito, seguro e capitalização, com média de R$ 3.335,90, e na atividade extrativa mineral (R$ 2.663,85). A maior alta foi na indústria de material elétrico e de comunicações, que teve crescimento de 25,70% e chegou a R$ 1.238,87. Os menores rendimentos, em 2007, estavam na indústria de madeira e do mobiliário, com R$ 506,79.
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