O incremento de pelo menos mil empregos com carteira na indústria, entre 1995 e 2005, foi registrado em 18 cidades do Ceará. Destas, 12 são pequenos municípios com menos de 100 mil habitantes: Horizonte, Eusébio, Maranguape, Russas, Itapajé, Aquiraz, Pacatuba, Itapipoca, Iguatu, Cascavel, Uruburetama e Aracati. As outras seis cidades têm população maior: Sobral, Fortaleza, Maracanaú, Juazeiro do Norte, Crato e Caucaia.
Esses 18 municípios tiveram juntos um crescimento do emprego formal de 67.507 postos na indústria, nos dez anos de análise. Em Fortaleza, o aumento foi de 6.243 vagas, o terceiro maior no Estado, com participação inferior a 10% do total. Os incrementos mais elevados foram registrados em Sobral (13.321 vagas) e Horizonte (8.904).
Segundo o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), responsável pelo levantamento, Mansueto Almeida, o aumento de indústrias nas pequenas cidades deve-se à oferta de mão-de-obra mais barata, ao baixo custo de terrenos e ao acesso direto que alguns empresários têm com o prefeito da cidade.
Para ele, é positivo que a Capital não concentre essa alta, pois o importante é interiorizar a industrialização e levar emprego para outras cidades.
Ainda há concentração
Apesar disso, Almeida observa que o crescimento do emprego na indústria ainda é muito concentrado nos municípios próximos a Fortaleza. ´Tradicionalmente, o desenvolvimento econômico no Nordeste ocorre próximo ao litoral´, explica o especialista.
´É um problema comum a todos os estados da região´. De acordo com o pesquisador, grande parte do crescimento do emprego ´decorreu de incentivos fiscais do governo do Estado para a interiorização da indústria ou se restringe à região metropolitana´.
Desafio da formalização
Mansueto Almeida destaca que a informalidade é outro problema neste cenário. ´O desafio é promover a formalização sem reduzir a competitividade da empresa´, analisa. ´A saída é levar o agente de desenvolvimento para mudar o processo de fabricação e elevar a produtividade para que a empresa consiga arcar com os custos da formalização´. Além da informalidade, a pesquisa aponta que o desrespeito a questões trabalhistas, fiscais e ambientais ainda dependem de esforço conjunto de governos, empresas e agentes de desenvolvimento.
No País, cerca de 58% dos empregos industriais criados entre 2000 e 2005 ocorreram nas cidades pequenas, com menos de 100 mil habitantes. O Ipea buscou exemplos de cidades que evoluíram no cumprimento às leis e aumentaram a formalidade, como é o caso de Toritama (PE), na área ambiental, Nova Serrana (MG), na trabalhista, e Jaraguá (GO), na tributária. As três cidades estão entre os 417 municípios brasileiros em que o emprego industrial com carteira aumentou em pelo menos mil trabalhadores no período. ´Esses municípios são exemplos do dinamismo econômico encontrado em pequenas localidades no Brasil, onde se constata um crescimento, na última década, do emprego formal, do número de empresas formais, da arrecadação tributária, e do PIB´. Segundo o Ipea, foram criados 7 milhões de empregos formais de 2000 a 2005, no País, número superior ao de 15 anos anteriores (5,7 milhões).