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Espaços públicos são vendidos nas feiras livres no Ceará

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Espaços públicos são vendidos nas feiras livres no Ceará

Comerciantes loteiam áreas nas feiras de Messejana e Parangaba

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01/09/2008 - 11h12
fonte Diário do Nordeste www.diariodonordeste.com.br



Loteamento do espaço público. É isso o que está acontecendo nas principais feiras da cidade. Em Parangaba e Messejana, metros quadrados são vendidos, alugados ou transferidos por valores consideráveis. A prática, ilegal, é realizada às claras pelos comerciantes e desconhecida, pelo menos oficialmente, pela Prefeitura de Fortaleza, que admite ter perdido o controle sobre a ocupação de muitas feiras livres.

Domingo já é sagrado. É a oportunidade para milhares de comerciantes exporem as mercadorias e lucrarem com a venda de alimentos e uma outra infinidade de produtos. Há quem fature até R$ 700,00 em um único domingo na feira da Parangaba. De olho nessa rentabilidade que só exige investimento em mercadorias, já que a infra-estrutura de uma barraca é mínima e a taxa anual de manutenção paga ao Município não passa de R$ 5,00, muitas pessoas procuram, de todas as formas, um espaço para armar, literalmente, uma barraca.

Pontos Alugados
Essa grande procura acaba gerando um comércio paralelo, que não é de bens materiais, mas sim do espaço público. Os pontos nas feiras da Messejana e Parangaba são comercializados a preços que variam de R$ 400,00 a R$ 2 mil. Há até quem esteja pedindo R$ 3 mil para transferir a barraca para um novo dono. Depois do espaço demarcado, montar a barraca é a coisa mais fácil, pois há pessoas que trabalham somente com o aluguel de bancas de madeira e toldos de plástico.

O aluguel de uma barraca custa, em média, de R$ 7,00 a R$ 10,00, por dia. Nesse caso, o interessado precisa chegar bem cedo e negociar o preço com as pessoas que prestam esse tipo de serviço, que já está praticamente institucionalizado, pois a Prefeitura tem conhecimento dessa prática e não interfere nela, já que se trata de um serviço privado procurado pelos ambulantes e que não influencia diretamente na organização do local. É o que garante o encarregado de feiras da Secretaria Executiva Regional VI, Francisco Estevão da Silva.

Os comerciantes da Parangaba dizem que quem manda na região é a lei do mais forte. “Como a feira é toda irregular, cada um cuida do seu próprio ponto. E se você não abrir o olho, um outro feirante pode vir e tomar seu lugar”, afirmou um comerciante que preferiu não se identificar. Ele conta que o que determinará o valor de um ponto na área é o tamanho da barraca e a localização pretendida. O menor valor é R$ 400,00 e o maior R$ 2 mil.

Para quem não dispõe dessas quantias, resta ainda a opção de encontrar um espaço na “marra” para se fixar. “É só chegar cedo e procurar um lugar para montar a sua barraca. É preciso ter muito peito, pois todos os espaços da feira estão lotados. Se colar, colou”, revelou um comerciante. Difícil é encontrar esse espaço, pois, até mesmo para se locomover na área é complicado. Barracas, pessoas e produtos legais ou ilegais se misturam no Pólo de Lazer da Parangaba.
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