09/07/2008 - 11h11 Mayara Bastos
Jornal Meio Norte
Pesquisa do Ipea analisa diversas propostas de desoneração tributária sobre a folha de salários, inclusive a enviada recentemente pelo governo ao Congresso Nacional. O estudo conclui que a desoneração com foco nos menores salários resulta em custos financeiros/fiscais menores e melhora na distribuição de renda.
"Defendemos uma desoneração focalizada nos baixos salários", diz o estudo. Segundo os pesquisadores, essa proposta tem algumas vantagens, entre elas o menor custo fiscal, possível de ser neutralizado pelo desempenho recente do mercado de trabalho.
Há também benefício porque distribui renda, uma vez que, ao desonerar a parcela dos empregados, implica na elevação da renda disponível para os mais pobres. Segundo os dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) de 2002-2003, as contribuições previdenciárias recolhidas pelos trabalhadores representavam 2,1% da renda dos 40% mais pobres e 3,1% nos da renda dos 20% mais ricos.
A proposta de desoneração focalizada é construída a partir de quatro cenários. O primeiro isentaria a parcela inicial de R$ 100 pagos como salários. Este cenário, segundo os pesquisadores, representaria um custo fiscal (diminuição da arrecadação) de R$ 4,6 bilhões. O segundo cenário partiria de uma contribuição patronal de 15% e dos empregados de 4% para o primeiro salário mínimo e constituiria um custo fiscal de R$ 7,9 bilhões. O terceiro cenário seria com uma contribuição patronal de 18% e dos empregados de 4% para o primeiro salário mínimo e motivaria um custo fiscal de R$ 5,7 bilhões. Por último, o quarto cenário apresentaria uma contribuição patronal de 18% e dos empregados de 5% também para o primeiro salário mínimo, com custo fiscal de R$ 4, 7 bilhões.
Os pesquisadores calcularam também o quanto deveria crescer a massa salarial ou o número de vínculos (supondo a mesma estrutura salarial) para neutralização dos custos fiscais desses quatro cenários de desoneração focalizada. Os resultados mostram que, mesmo para o cenário mais custoso em termos fiscais, a desoneração focalizada poderia ser feita de modo mais imediato e sem grandes conseqüências negativas para as contas da Previdência.