06/08/2008 - 14h12 Atualizada em 06/08/2008 - 14h15 Diário do Nordeste
Em um momento em que a cadeia têxtil cearense tenta tomar fôlego para retornar ao posto que ocupava nas décadas de 1980 e 1990, de maior produtor de moda do País; a falta de profissionais qualificados o suficiente para preencher as vagas ofertadas começa a assolar o setor. ´Percebemos que ainda falta muita capacitação, até mesmo por parte dos recém-formados, que ainda não têm a vivência cotidiana de o que é uma fábrica´, ressalta a editora de moda e estilista cearense, Aliny Borges.
Ela, que é proprietária de um site de captação de mão-de-obra do setor, o Portal Profissão Moda, diz que, atualmente, conta com um banco de dados com cerca de 800 currículos cadastrados. Em geral, cerca de 15 empregos são oferecidos por mês. ´Para designer de acessórios, por exemplo, há três meses procuramos alguém para preencher uma vaga e não conseguimos achar uma pessoa que atenda o perfil exigido´, explica a responsável pelo portal. Mesmo revelando-se um mercado em forte ascensão, sobretudo após a implantação de cursos de designer e estilismo no Estado, o segmento esbarra em dificuldades na hora de contratar. Contudo, fazer a diferença, por exemplo, com um bom curso de inglês, pode ajudar, Aliny ensina.
A reestruturação do mercado ´O mercado é muito amplo em termos de fabricação, mas, quando se fala em criação, ainda há muito o que evoluir´, avalia. Segundo ela, o empresário dos tempos atuais também passou a se preocupar mais em produzir peças antenadas com as tendências. ´Ele não pensa mais apenas em preço. Ele passou a se preocupar mais com o designer e a qualidade para agradar o seu cliente´, completa a empresária.
Recuperando os compradores Ameaçado pelo pólo fabril do agreste Pernambucano, os fabricantes de moda movimentam-se para recuperar os compradores que deixaram o Ceará e passaram a fazer negócios com o estado nordestino vizinho. ´Neste momento, o setor se une para fazer a força e voltar ao patamar de referência nacional em produção de moda. Precisamos valorizar o associativismo para resolver o problema´, acredita o superintendente executivo da União das Indústrias e Distribuidoras de Artigos de Moda do Estado do Ceará (Unimoda), Joseomy Moreira. A entidade que empossou sua nova diretoria ontem, já articula com o Governo do Estado benefícios para levantar o setor no Estado.