O governo da Geórgia anunciou que derrubou na segunda-feira um avião sem piloto do Exército russo que sobrevoava um oleoduto em seu território. A Rússia desmentiu a notícia.
"Ontem de manhã, junto à aldeia de Tsitelubani, perto de Gori, foi derrubado um avião russo não pilotado", disse à agência de notícias Efe o porta-voz do Ministério do Interior georgiano, Shota Utiashvili.
O aparelho, de pequenas dimensões, foi mostrado pelos principais canais de televisão georgianos. "Ainda não conseguimos estabelecer onde foi fabricado", disse Utiashvili, que acrescentou que o avião espião foi derrubado quando fotografava o oleoduto.
Logo que soube da informação, Moscou desmentiu o ataque e acusou as autoridades georgianas de "provocação informativa".
"Não detectamos nenhuma queda de aparelho, nem aparelho derrubado na zona de segurança", declarou o tenente-coronel Vitali Manushko, porta-voz das forças de manutenção de paz russas.
"O anúncio sobre a suposta derrubada de um avião russo não pilotado é uma nova provocação informativa da parte georgiana", disse à agência oficial russa Itar-Tass o chefe interino do escritório de imprensa do Ministério da Defesa, coronel Aleksandr Drobyshevski.
Rússia e Geórgia vivem sob forte tensão desde agosto, quando Tbilisi, que é aliada dos EUA, enviou tropas para retomar o controle sobre a Ossétia do Sul, região separatista que declarou independência no começo dos anos 90. Moscou reagiu à ofensiva porque apóia o pequeno território e mantêm forças de paz na região. O conflito se estendeu, então, para a Abkházia.
Os dois países assinaram um cessar-fogo, intermediado pela França, mas desde o início dos conflitos vivem sob tensão. Líderes de vários países já fizeram apelos pela paz e pelo compromisso russo com a integridade territorial da Geórgia.
A Abkházia também declarou a independência unilateral no início dos anos 90 e já demonstrou vontade de se juntar ao território russo. Os auto-proclamados presidentes das duas regiões se reuniram com Medvedev em meio aos conflitos. A Rússia reconheceu a independência dos dois territórios, o que provocou críticas de líderes de vários países.
Mesmo com os conflitos, Moscou mantém cerca de 8.000 soldados de paz nas duas regiões separatistas.