24/08/2008 - 10h12 Atualizada em 24/08/2008 - 11h15 Francisco Lima
Jornal Meio Norte
No centro da cidade elas se proliferam aos borbotões. Pelas ruas por onde passam milhares de pessoas todos os dias, as financeiras estão a cada quarteirão e com uma movimentação bastante intensa. Hoje, além do fluxo constante de pessoas nesse tipo de estabelecimento, elas estão constantemente na mídia em razão de um grande problema: serem o principal pivô dos empréstimos fraudulentos que vitimam quase todos os dias um idoso piauiense em alguma parte do Estado.
O crime hoje é um dos mais recorrentes no Piauí e faz com que a Delegacia do Idoso, uma das mais recentes a começar a atuar, seja uma das que mais são solicitadas pela população. “Assim que começamos nosso
trabalho, em setembro de 2005 tivemos apenas 4 casos de empréstimos consignados fraudulentos. Mas foi apenas no final de 2006, quando fizemos a primeira prisão, que as denúncias começaram a aparecer diariamente”, afirma o delegado Marlos Sampaio, titular da Delegacia do Idoso.
Hoje a Justiça piauiense possui noção do tamanho do problema que esses empréstimos se tornaram. De acordo com as estimativas da delegacia, não existe hoje nenhum município do Estado que ainda não possua pelo menos um vítima dos agenciadores de financeiras. “Só em Teresina já conseguimos registrar 500 casos este ano. Aqui é mais fácil ter um acompanhamento, porque é onde a delegacia está instalada, mas também temos atuado no interior e temos idéia do tamanho do problema.
Estimamos que existam hoje mais de duas mil vítimas desses empréstimos. Isso contando por baixo”, acredita.
Segundo Marlos, somente nas duas últimas operações foram encontrados quase 400 vítimas. Em Buriti dos Lopes, foram identificados 150 casos, já em Esperantina, foram mais de 200. “E nas cidades onde a delegacia não atua, onde ainda não pudemos chegar? Imagine quantas pessoas são”, especula.
Joana Miranda foi uma dessas pessoas. Moradora do interior da
cidade de Campo Maior, a 80 quilômetros de Teresina, ela recebeu a visita de um corretor na porta de sua casa. “Ele chegou me perguntando
se eu era aposentada e queria fazer um empréstimo. Disse para mim das vantagens, que eu não teria que pagar muito e eu acabei assinando,
porque precisava de um dinheiro para comprar uma coisas para casa. Só
que esse dinheiro nunca chegou, mas vem descontado do meu pagamento”, lamenta a senhora de 66 anos e que recebe apenas um salário como aposentada.
Mas existe quem seja mais comedida e prefira não se arriscar. A também aposentada Maria Auri Xavier, de 63 anos nunca fez um empréstimo. Ela diz que seu marido possui um, mas ela faz questão de não se envolver nessas questões. “Fazer um empréstimo é algo muito importante e todos devem tomar cuidado. Não apenas porque pode ser enganado, mas porque pode ficar difícil pagar”, recomenda.