Cerca de 600 funcionários da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos) realizam na manhã desta segunda-feira um protesto em frente ao Palácio do Planalto pelo cumprimento de um acordo assinado com a empresa em novembro de 2007. Trabalhadores, principalmente os carteiros, estão em greve em por tempo indeterminado há 14 dias.
Segundo José Gonçalves de Almeida, representante da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares), o grupo saiu da catedral de Brasília rumo ao palácio para ser recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Nós queremos ser recebido pelo Lula já que o acordo [de 2007] foi avalizado por ele", disse Almeida.
A categoria reclama que os Correios não fizeram a incorporação de 30% de adicional de periculosidade nos salários, negociação do plano de carreira e participação nos lucros, que estariam previsto no acordo. A empresa afirma que o compromisso foi cumprido, com a adoção do plano de carreira e o pagamento de um adicional de R$ 260 já na folha deste mês.
Acampamento
Almeida afirmou que os manifestantes pretendem montar acampamento em frente ao Palácio do Planalto até que sejam recebidos por Lula, ou consigam a garantia do presidente de que suas reivindicações serão atendidas.
Nesta terça-feira (15), às 9h, será retomada a audiência de conciliação no TST (Tribunal Superior do Trabalho) suspensa na segunda-feira da semana passada. O presidente do TST, ministro Rider Nogueira de Brito, propôs um acordo para o fim da paralisação e abertura de negociação entre sindicato e Correios.
A empresa aceitou a proposta, que previa suspender a aplicação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários de 2008, o fim do pagamento do adicional de R$ 260 e o retorno por dois meses do abono de 30% dos salários. A categoria não aceitou a proposta.
"Na audiência de amanhã nós vamos pedir ao ministro que o acordo [de 2007] seja cumprido. Se não for assim, a greve continua", informou Almeida.
Segundo o TST, caso as partes não cheguem em um acordo amanhã, o presidente deverá instaurar dissídio, marcar a data do julgamento da ação de abusividade da greve e sortear o juiz relator.
Adesão
A assessoria dos Correios informou ainda não ter a atualização dos números da paralisação da manhã de hoje. O último balanço divulgado na sexta-feira mostrava que a greve atingia 21 Estados mais o Distrito Federal. Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Roraima e Tocantins estavam com o atendimento regular.
No fim da semana, segundo a empresa, 18% do total dos trabalhadores 110 mil empregados e 27% dos carteiros 53 mil estavam de braços cruzados. Com isso, até aquele dia, 270 milhões de correspondências foram postadas, sendo que apenas 66% foram entregues (178,2 milhões). Além disso, 6,5 milhões de encomendas foram encaminhadas e 95% tinham chegado aos destinatários (6,175 milhões).