Na contramão do País, as importações cearenses registraram uma queda expressiva no mês passado. Enquanto as compras do Brasil no exterior bateram recorde histórico, no Ceará elas foram de apenas US$ 95,3 milhões. O montante representa uma retração de 46,7% sobre julho e de 59,9% na comparação com agosto de 2007. No Brasil, as importações somaram US$ 17,478 bilhões — um recorde histórico, segundo informou, ontem, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Para o superintendente do Centro Internacional de Negócios (CIN), Eduardo Bezerra, a queda nas importações é ´um fato pontual e não significa nada´. Segundo ele, essa variação faz parte da natureza flutuante do comércio internacional e a análise não deve ser imediatista, considerando pelo menos um período de três meses. Entre janeiro e agosto, as importações totalizam US$ 1.041,3 bilhão — 33,4% a mais do que o acumulado no mesmo período do ano passado.
O executivo do CIN acredita que, até o fim do ano, as importações brasileiras se recuperarão. Sua afirmação se baseia em pelo menos três itens da pauta, cuja demanda não deve ser reduzida: trigo, base da produção de pão, biscoito e macarrão; algodão, que abastece a indústria têxtil — uma das mais fortes do Estado; e derivados de ferro e aço, necessários na indústria metalmecânica e nos parques eólicos.
Eduardo Bezerra afirma que somente após verificar os dados específicos, se saberá o que causou a redução. ´O importante é o saldo comercial´, diz. O Ceará conseguiu reverter a balança, que estava negativa em US$ 120,9 milhões em agosto de 2007, para US$ 17,7 milhões no mês passado. Entretanto, no acumulado dos oito primeiros meses, o saldo continua negativo (-US$ 208,5 milhões) e essa diferença é ainda maior do que em igual período de 2007 (-US$ 44,4 milhões).
Em agosto, o Ceará exportou US$ 113 milhões, uma queda de 3,33% sobre igual mês do ano passado e de 5,4% sobre julho. Mesmo assim, considerando a média diária de exportações, houve aumento de 5,9% nas vendas do Estado em um ano. No acumulado do ano, porém, o desempenho é melhor: US$ 832,8 milhões, alta de 13% frente aos US$ 736,4 milhões contabilizados de janeiro a agosto de 2007. O CIN trabalha com a estimativa de fechar o ano com US$ 1,2 bilhão exportados.
No País
As importações do Brasil no mês de agosto bateram recorde histórico tanto em valor quanto pela média diária. As compras somaram no mês passado US$ 17,478 bilhões, com uma média diária de US$ 832,3 milhões. As exportações também tiveram bom desempenho e registraram o segundo maior valor mensal da história, totalizando R$ 19,747 bilhões e média diária de US$ 940,3 milhões. A balança fechou agosto com superávit de US$ 2,269 bilhões. No ano, o saldo comercial é de US$ 16,907 e nos últimos 12 meses de US$ 29,481 bilhões.
Em agosto, do lado das importações, o destaque ficou com combustíveis e lubrificantes, cujas compras aumentaram 132,6% sobre agosto de 2007. Já nas exportações, o maior crescimento foi em produtos básicos, que registrou expansão de 74,8% em relação a agosto de 2007. As maiores vendas ocorreram em minério de cobre, petróleo em bruto, minério de ferro, soja em grão e carnes de frango e bovina.
No acumulado, tanto exportações quanto importações bateram recorde histórico para o período. As vendas em oito meses somaram US$ 130,843 bilhões, e as importações totalizaram US$ 113,936 bilhões.