A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta terça-feira (7) os indicadores industriais de agosto. Segundo o levantamento, o faturamento industrial recuou 2,3% em agosto em relação a julho deste ano. Essa é a maior queda desde maio de 2005. Contudo, a CNI considera que, apesar da queda, o rendimento real das empresas sofreu apenas uma acomodação, já que no ano o faturamento subiu 8,2%.
Segundo a CNI, mesmo que as empresas não ampliem seu faturamento real nos próximos meses até o final do ano, a expansão do rendimento real da indústria já tem um avanço garantido de 6,8% neste ano em relação a 2007.
“Tivemos uma base de comparação em julho muito elevada e, por isso, o faturamento de agosto foi menor do que em julho”, explicou o chefe da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.
O número de horas trabalhadas nas fábricas se manteve estável em agosto, comparado com julho. No ano, o número de horas em atividade subiu 5,7% em relação aos oito primeiros meses do ano passado.
Em agosto, o nível de emprego industrial subiu apenas 0,1% em comparação a julho. Entre janeiro e agosto, o número de postos formais na indústria subiu 4,4%. Há 33 meses consecutivos as empresas estão ampliando o número de vagas.
A massa salarial real de agosto ficou 2,3% menor que em julho. Porém, no ano, o valor da massa de salários subiu 5,1%. Entre agosto deste ano e agosto de 2007, a massa salarial real subiu 3,6%.
Crise Segundo a CNI, os dados apresentados nesta terça-feira ainda não sofreram impacto da crise financeira internacional. “A crise financeira internacional terá poucos impactos na economia real em 2008”, prevê Castelo Branco.
A tendência, segundo ele, é que a indústria seja pouco afetada em 2008 por conta da mudança da política monetária e do aumento da taxa básica de juros. A expectativa da CNI é que a demanda interna e o consumo das famílias continuem elevados neste ano. Segundo Castelo Branco, as encomendas do comércio para a indústria visando as compras do final do ano não foram prejudicadas.