O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira, 2, que a inflação já está sendo debelada no País. "Todos os índices estão caindo mês a mês. Estamos muito satisfeitos", afirmou a jornalistas momentos após participar do evento na capital paulista em comemoração aos 40 anos da revista Veja.
De acordo com ele, a desaceleração da inflação significa que a meta de 4,5% determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para este e os próximos dois anos "é correta, é adequada". O ministro citou a pesquisa semanal Focus, formanda pelas expectativas de analistas do mercado financeiro e que prevêem uma taxa inferior a 6,50% para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - utilizado para balizar as metas do governo - deste ano, portanto abaixo do teto da meta.
"Isso é importante em um ano em que houve inflação planetária e crise financeiro mundial", acrescentou. O ministro voltou a afirmar que será inédito este fato principalmente porque os demais países que também adotam um regime de metas de inflação já ultrapassaram os seus alvos. "Estamos muito bem. Temos uma política monetária e fiscal muito eficiente", avaliou.
Questionado sobre se a inflação do próximo ano convergirá para o centro da meta no primeiro ou no segundo semestre de 2009, Mantega afirmou que quem cuida da convergência da inflação para o centro da meta é o Banco Central.
Indústria
O ministro avaliou que o resultado da política industrial de julho, divulgado nesta terça pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e que mostra expansão acima do esperado, foi positivo, mas que o governo já tem indicadores de que alguns setores já começam a registrar desaceleração de suas atividades. Questionado sobre quais seriam esses setores, Mantega apenas respondeu: "não posso antecipar".
O ministro ressaltou que a taxa de crescimento do crédito, que estava próxima de 30% ano, deve cair para uma faixa de 15% a 20%, sem mencionar quando isso ocorrerá. "Estamos combatendo a inflação, mas mantendo o ritmo de crescimento", disse. "Tomamos medidas para reduzir um pouco o crescimento do País, que estava muito acelerado", acrescentou. O intuito, segundo ele, é o de manter a expansão da atividade, mas de forma moderada e sustentada. "Já notamos uma redução no volume do crédito e isso deve moderar a demanda e levar o PIB a crescer entre 4,5% a 5%, o que é desejável".