A arrancada da inflação este ano afetou o padrão de consumo de grande parte das famílias brasileiras. É o que mostra recorte especial da Sondagem das Expectativas do Consumidor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com mais de 2.000 domicílios, pesquisados em sete capitais. De acordo com o levantamento, quase 80% dos entrevistados (79,9%) informaram que a inflação mais alta está afetando o padrão de consumo de suas famílias.
Desse porcentual, 35,4% informaram que estão procurando diminuir gastos de consumo por cautela; e 44,5% recorreram à substituição de produtos e serviços por outros mais baratos. No universo total do levantamento, apenas 20,1% não sentiram mudança em seu padrão de consumo, mesmo com a alta da inflação.
´As famílias com faixas de renda menor foram as que mais sentiram diferença em seu padrão de consumo´, disse o coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV, Aloísio Campelo.
Ao analisar por faixas de renda, 87,8% das famílias pesquisadas com rendimento até R$ 2.100 sentiram diferença em seu padrão de consumo, devido ao avanço de preços mais elevados. Nas famílias com renda acima de R$ 9.600, esse porcentual é de 72,4%.
A mesma pesquisa mostra que, tanto entre os consumidores de renda menor quanto entre os mais abastados, os alimentos foram os mais citados como influência negativa para seu orçamento doméstico, sendo lembrado por cerca de 66,8% dos pesquisados com renda até R$ 2.100; e por 54,7% dos entrevistados com renda acima de R$ 9.600.
A aposta no crescimento econômico para os próximos cinco anos também é mais abrangente entre as famílias de renda mais elevada Outro recorte especial da sondagem, sobre estimativas de crescimento econômico, mostra 48,3% das famílias pesquisadas com renda acima de R$ 9.600 acreditam em crescimento econômico nos próximos cinco anos, em comparação com os cinco anos imediatamente anteriores. Esse porcentual é de 44% para as famílias que foram pesquisadas com renda até R$ 2.100.
PÃOZINHO FRANCÊS
Preços serão mantidos até o fim do ano
Há três meses, o Governo Federal isentou o trigo importado de alguns impostos, porque queria forçar a queda no preço do pãozinho. Em Fortaleza, a medida surtiu um leve efeito. Segundo o Sindicato da Indústria de Panificação (Sindipan), a média de redução nos preços ficou em 4%, passando o quilo de R$ 6,25(em maio) para R$ 6,00 (em junho). ´A expectativa é de estabilidade até o final do ano. Alta não deve acontecer´, diz o presidente do Sindipan, Ricardo Sales. ´Agora, caso o Governo estadual atenda o pleito do setor em reduzir em 30% a alíquota de ICMS cobrado para a farinha de trigo, poderá haver uma nova redução´, ressalta Sales, informando que a proposta já foi apresentada ao secretário da Fazenda do Estado do Ceará, Mauro Filho.
As vendas, de acordo com ele, devem fechar o ano em igual patamar registrado em 2007. ´Antes da crise do trigo, no primeiro semestre, estávamos prevendo alta entre 10% e 15%. Mas, essa previsão não deve acontecer´, diz Sales.
ÍNDICE REDUZ A 6,34%
Previsão do IPCA cai pela quarta semana consecutiva
Brasília. Os economistas ouvidos pela pesquisa semanal do Banco Central (BC) reduziram, pela quarta semana seguida, a previsão para a inflação em 2008. Também aumentaram as apostas de que a alta dos juros vai frear o crescimento da economia brasileira no ano que vem.
A expectativa para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) neste ano, que serve como meta de inflação, caiu de 6,44% para 6,34%. Há quatro semanas, era de 6,58%.
Se confirmado, o indicador ficaria abaixo do teto da meta de inflação para esse ano, que é de 6,50% (meta de 4,5% com dois pontos percentuais de tolerância para cima e para baixo). A estimativa para a inflação para os próximos 12 meses também recuou, de 5,31% para 5,25%. Foi mantida a previsão para o IPCA em 2009 (5%).
Juros
Essas previsões vêm caindo desde que o BC decidiu intensificar o ritmo de aumento da taxa básica de juros, a Selic. Desde o início do ano, a Selic já subiu de 11,25% para 13% ao ano.
Os economistas esperam que taxa básica termine 2008 em 14,75% ao ano, mesma previsão da semana passada. Para a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC) de setembro, a aposta é de uma elevação nos juros para uma taxa de 13,75% ao ano.