Desbravador, heróico e maduro. O Inter teve todos esses adjetivos para derrotar o Estudiantes por 1 a 0, nesta quarta-feira, no Ciudad La Plata. O time jogou com um a menos desde os 25 minutos de jogo. Agora, precisa apenas do empate no Beira-Rio para ficar com o título da Copa Sul-Americana.
A julgar pelos primeiros 45 minutos, o Inter teve sorte, talvez a famosa sorte de campeão. Bem recuado, o Colorado via o Estudiantes ameaçar muito, principalmente nas jogadas aéreas.
Além disso, talvez embriagado pelo clima quente de uma final, um dos jogadores mais experientes do Inter - e o que menos se esperava que fosse cair na catimba argentina, até por ser um hermano também - o volante Guiñazú perdeu a cabeça. Com menos de 25 minutos, o volante cometeu duas faltas violentas e foi expulso justamente pelo árbitro Carlos Amarilla.
Talvez num trocadilho com o seu nome, o paraguaio distribuiu muitos cartões - sete só no primeiro tempo. Um deles foi para o zagueiro argentino Desábato, que, todo estabanado, derrubou infantilmente o atacante Nilmar dentro da área: pênalti indiscutível, que Alex precisou cobrar duas vezes para comemorar, já que na primeira, Magrão invadiu a área.
O gol encheu de motivação os colorados. Dois minutos após o gol, o argentino D"Alessandro cobrou falta de muito longe e acertou a trave do goleiro Andújar. O bom momento, no entanto, não durou muito. Já no fim do primeiro tempo, o Estudiantes voltou a dominar, enquanto o Inter explorava os contra-ataques.
Num deles, Alex acertou belo lançamento para Nilmar, que sairia livre em direção ao gol. Porém, um erro grosseiro do auxiliar Manuel Bernal impediu que o time fosse para o vestiário com uma vantagem maior.
Na volta para o segundo tempo, o Estudiantes passou a usar uma carta na manga que até então passava despercebida: Verón. O capitão fez de tudo, cobrou falta rente à trave, colocou o atacante Boselli na cara do gol com um simples toque de calcanhar e conduzia o tango como um verdadeiro maestro.
Embora a sintonia do time argentino não fosse a mesma que conduzia seu principal jogador, a superioridade em relação a um acuado Inter era nítida. Honrando a tradição gaúcha de priorizar o resultado ao futebol bonito, o Inter seguia a alcunha de levar suas plagas distantes; com feitos relevantes, pronto para brilhar, como já diz o seu hino. Tal façanha, até então, valorizava-se ainda mais pelo fato de o Estudiantes não perder em casa há 43 partidas.
Nos minutos finais, a pressão do Estudiantes dava a impressão de que o Inter não conseguiria segurar o resultado. Porém, com a famosa garra gaúcha, o Colorado colocou a mão na taça e pode ser o primeiro clube brasileiro campeão da Sul-Americana.
FICHA TÉCNICA:
ESTUDIANTES X INTERNACIONAL
Estádio: Ciudad de La Plata (La Plata, ARG)
Data-hora: 26/11/2008 - 22h (de Brasília)
Árbitro: Carlos Amarilla (PAR)
Auxiliares: Manuel Bernal (PAR) e Emigdio Ruiz Roa (PAR)