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Investimentos de R$ 1,5 bi na Construção civil

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Investimentos de R$ 1,5 bi na Construção civil

Recursos devem aquecer o setor, até o fim de 2009, com obras de infra-estrutura no Ceará

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04/09/2008 - 08h21
fonte Diário do Nordeste www.diariodonordeste.com.br



A concretização de grandes projetos de infra-estrutura no Ceará vai representar a injeção de investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhão, até o fim de 2009, aquecendo a construção civil local.

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Construção Civil do Estado (Sinduscon/CE), Roberto Sérgio Ferreira, a projeção feita pelo próprio titular da Secretaria da Fazenda, Mauro Filho, anima as empreiteiras cearenses que, atualmente, estão trabalhando mais na execução de projetos em outros estados do Norte e Nordeste.

´Vamos torcer para que as obras do Pecém saiam. Ou seja, as da siderúrgica e da refinaria, além de dois hospitais regionais, do novo prédio do IML (Instituto Médico Legal), que está sendo licitado e o da Academia de Polícia´, diz Ferreira. Para ele, o segmento espera que essas obras venham a aquecer a área pública já nos próximos seis meses.

Flancos de atuação

O presidente do Sinduscon/CE explica que a construção civil tem três flancos de atuação: a incorporação — cujo mercado está moderadamente aquecido no Estado —, a área comercial e industrial e a de obras públicas. ´No segundo ramo, o mercado cearense está praticamente frio: temos apenas a construção do Shopping Via Sul, na avenida Washington Soares, e do Varandas, este na avenida Dom Luís com a Virgílio Távora, que é um projeto apenas para a Aldeota.

Não há grandes empreitadas, como agências bancárias ou supermercados de maior porte´, afirma.

Obras públicas

No caso das obras públicas, Ferreira revela que o filão, por enquanto, tem sido o mercado de Pernambuco. Coincidência ou não, a terra do presidente Lula da Silva desponta como destino de grandes projetos.

´No Porto de Suape (PE), o volume de obras é enorme: tem a infra-estrutura para refinaria da Petrobras com a PDVSA, o parque de tancagem da estatal, que vai sair de Recife para Suape, tem um grande estaleiro, que vai produzir navios e plataformas para a Transpetro e Petrobras´, elenca ele.

Onde a obra está

Não por acaso as construtoras locais ultrapassaram as fronteiras do Ceará. ´É como diz aquela música: todo artista tem de ir aonde o povo está... Os empreiteiros têm de ir aonde as obras estão´, brinca o líder classista. Mota Machado, Colméia, Fujita, Sert Engenharia, Palma, Rolim Machado, J. Simões, Diagonal, Blokus, Mercurius, Terra Brasilis — a lista é quase interminável e pode faltar alguma empresa. Todas estas já atuam em outros estados, em busca de filões de mercado como obras públicas, comerciais e residenciais.

´São empresas cearenses atuando em São Luís (MA), João Pessoa (PB), Natal, Mossoró e Pau dos Ferros (RN), Recife e Suape (PE), Belém (PA), Manaus (AM) e até em Brasília (DF) e no Interior de São Paulo´, acrescenta Ferreira.

A sua construtora, a Sert Engenharia, por exemplo, está em João Pessoa, Recife, São Luís e Belém. ´Em Pernambuco, são obras públicas, no Maranhão, incorporação imobiliária´, observa. ´No Rio Grande do Norte, temos Natal como o principal destino turístico do País, com 12 hotéis de praia, e Mossoró, com a Petrobras. Aliás, onde tem Petrobras, o dinheiro corre´, resume.

CONSTRUÇÃO PESADA
Base de trabalhadores pode ser duplicada


Se realmente saírem do papel, as chamadas obras estruturantes podem duplicar a base de trabalhadores que atuam na construção pesada no Ceará. A estimativa é do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem Geral no Estado (Sintepav/CE).

A entidade reúne hoje cerca de 15 mil filiados e espera chegar a 30 mil com o início dos projetos como refinaria, siderúrgica, usinas eólicas, térmicas e de biodiesel.

´Somente a obra da refinaria vai gerar para nós cerca de quatro mil empregos diretos´, afirma José Flávio Coutinho, assessor de comunicação do Sintepav/CE. Ele acrescenta que outro projeto de fundamental importância para a infra-estrutura da Capital e para a categoria é a do Metrofor. ´Estamos confiantes de que o Metrofor não sofra mais interrupções´, observa Coutinho.

Para o assessor, há mão-de-obra suficiente pata tocar todos os projetos. ´Nossa categoria já chegou a ter 20 mil trabalhadores na base, na época da construção do açude Castanhão. Agora, está tendo recuperação´, lembra.

Ele diz ainda que, com as obras anunciadas, não só vai crescer a contratação de trabalhadores sediados no Estado como vai possibilitar a volta dos que hoje atuam nos estados de Pernambuco e da Bahia, que foram em busca dos grandes investimentos públicos e privados no setor.

RESIDENCIAL PLANEJADO
Terra Brasilis aposta em Mossoró


Não são apenas as construtoras e incorporadoras do Sudeste que investem no Nordeste. O ´boom´ do mercado imobiliário nacional despertou o interesse das empresas cearenses nos estados da região, em especial, no vizinho Rio Grande do Norte. A Terra Brasilis — pioneira na construção de bairros planejados no Ceará — expandiu sua atuação para o promissor mercado imobiliário de Mossoró. A cidade potiguar se beneficia com investimentos da Petrobras, da indústria do sal e exportação de frutas, aparecendo como mercado emergente.

A Terra Brasilis planeja aplicar R$ 120 milhões no desenvolvimento do seu primeiro empreendimento em Mossoró. A primeira fase do projeto foi batizada de Quintas do Lago Mossoró, lançado em julho último, com 313 lotes e casas de alto padrão em 230 mil m². Desenvolvido em parceria com o grupo inglês Keyworth Partnership, o projeto global ocupará uma área de 730 mil m², com mais de 2 mil lotes, casas e apartamentos, cujo VGV (Valor Geral de Vendas) projetado é de R$ 230 milhões.

Assim como os Jardins da Serra, em Maracanaú, e o Quintas do Lago no Eusébio, ambos no Ceará, o Quintas do Lago Mossoró trabalha com o conceito de bairro planejado e oferece infra-estrutura de saneamento, estação de tratamento de esgoto com reuso de água tratada, pavimentação com blocos de concreto, drenagem de águas pluviais, paisagismo, sistema de segurança e coleta seletiva de lixo.

A expansão para o mercado imobiliário de Mossoró é parte da estratégia de crescimento da empresa, que hoje possui um banco de terrenos aproximado de cinco milhões de metros quadrados em Caruaru, Campina Grande, Juazeiro do Norte, Maracanaú e Mossoró.
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