Kelly Key é uma garota descolada e sem pudores, certo? Errado. Antenada sim, mas decente, conforme se define a própria cantora. Sexo casual, por exemplo, não faz parte do repertório da garota de 25 anos que é casada há 7, tem dois filhos e pretende focar na carreira para o público infantil. E o que fazer com a sexualidade latente conquistada com os hits como Baba Baby ou Cachorrinho? "Mudo a letra, mas não canto mais uma frase que possa chocar as crianças."
Para os fãs adultos, porém, Kelly avisa que não vai abrir mão da sensualidade. "Nunca vou deixar de ser a Kelly mulher", disse, enquanto fotografava para as lentes do fotógrafo, Marcos Serra Lima, no centro do Rio de Janeiro. O ensaio, que tem arte de Priscila Chermont, Marianne Abreu e Tati Calvente, está, literalmente, de babar.
EGO: Você quer mesmo investir na carreira infantil?
KELLY KEY: Eles me conhecem mais do que eu imaginava. Aconteceu por acaso e estou adorando. Continuo minha carreira para o público adolescente e infantil, mas tomando muito cuidado, respeitando os pais e as próprias crianças. De dois em dois anos quero lançar um projeto focado nelas.
EGO: Pretende abrir mão da sexualidade?
KELLY KEY: Não vou abrir mão da Kelly Key mulher. Não quero virar uma criança. Tenho 25 anos, sou casada e tenho dois filhos. A Kelly Key mulher não pode e não deve ficar de lado, porque vou estar mentindo para o meu público. Não ia conseguir fazer um programa onde eu seria um personagem o tempo inteiro. Acho até que entraria em conflito. Eu estou ensaiando para um filme e tenho saído de lá piradinha, porque uma hora sou uma pessoa e depois sou outra.
EGO: Quer virar atriz agora?
KELLY KEY: Vou fazer um filme. Estou ensaiando, mas ainda não posso falar muito sobre ele, pois deve estrear no final de 2009. Estou muito ansiosa porque neguei isso no começo da carreira, tinha muito medo. Havia as críticas de que eu seria cantora de um sucesso só e eu tinha vergonha de aceitar os convites.
EGO: Vai fazer que papel no filme?
KELLY KEY: Vou ser uma mulher muito forte, do tipo que derrubaria uma parede. Sou muito autêntica e não faço nada para agradar ninguém. Tenho conciência de que sou sensual, mas não sou vulgar. Não quero ser uma mulher vulgar, mas não vou deixar de ser bonita, mulher e sensual, até porque acho que o meu público gosta disso em mim.
EGO: Mas tem procurado segurar a onda?
KELLY KEY: Mais nas letras das músicas, nas fotos da capa do CD... É natural que por causa da minha sensualidade, por eu ser bonita, cuidar do corpo, da aparência, queiram explorar a minha sensualidade. Isso sempre aconteceu comigo, mas eu deixei que isso acontecesse. Hoje penso que quero fazer um trabalho que a minha filha possa ouvir e ver. Não quero fazer nada que possa prejudicar a cabecinha de uma criança. Não canto mais frases que um adolescente ou um adulto ia adorar ouvir, mas um pequeno iria se chocar.
EGO: E o que choca a sua filha?
KELLY KEY: A Susana é muito esperta, inteligente, malandra pra caramba, mas ainda não tem muito discernimento. Não minto para minha filha, mas omito. Com essas mulheres frutas, por exemplo, ela se diverte. Ela não entende como alguém pode ser chamada de fruta. Mas eu sei. Fico me perguntando qual fruta eu seria. Ia adorar ser a mulher kiwi. Sou bacana, interessante, gostosa, mas azeda. Risos. Não gostaria de ser reconhecida apenas como uma bunda ambulante. Gosto de ter meu nome e não gostaria de chamar atenção por causa de um atributo físico. No começo me julgaram por causa do meu corpo e eu não gostava. Acho que tenho muito mais conteúdo para mostrar. Mas respeito o trabalho dessas meninas e acho que cada um tem que lutar e aproveitar as oportunidades que tem.