Poderia ter sido simplesmente o encontro de duas mães com seus bebês recém-nascidos, no parque da cidade onde moram, em Sobradinho. Mas este encontro teve gosto materno de saudade, com direito a choro, sorriso, dengos, cheiros, confusão e reencontro. Por cinco dias, as
mães deram leite e amor ao filho legítimo da outra, sem a certeza desta troca, ocorrida no Hospital Regional de Sobradinho (HRS). E já no terceiro dia em que amamentavam seus próprios filhos, a saudade daquele outro pimpolho já bateu.
Ontem, por cerca de duas horas, a dona de casa Dirléia Pinheiro, 24 anos, entregou seu filho legítimo, João Pedro, aos braços da frentista Fernanda Moreira, 26. O bebê de Fernanda, Rafael, ficou no colo de Dirléia. Assim, com a propriedade de quem já teve aquela criança como se fosse sua, as mães se emocionaram ao contar a recente rotina com os bebês, trocando olhares e carinhos.
Os garotos nasceram no último dia 23 e foram trocados na maternidade do HRS. A troca foi confirmada na segunda-feira última, por meio um teste de DNA, feito pelo Instituto Médico-Legal (IML). Ao pegar Rafael no colo, Dirléia logo se assustou: "Nossa, como ele está pesado! Você está dando muito leite para ele!", brincou. Já Fernanda, quando pegou João Pedro, só sabia chorar. Não disse nada, apenas contemplava a criança.
Passado o primeiro aconchego, foi a hora de fazer os dois meninos abrirem os olhinhos. "Acorda para falar comigo, meu amor! Você não está com saudade?", questionavam as mães, quase simultaneamente. Em seguida, vieram as percepções mais sutis, as comparações, as confissões típicas de mães amigas. "Tenho saudade deste nariz, que eu ficava roçando no meu", contou Fernanda, referindo-se a João Pedro. "Sinto falta do olhar do Rafael, que é firme, enquanto João Pedro ainda vagueia", comentou Dirléia. Os nenéns são até parecidos fisicamente, embora os pais sejam muito diferentes.