22/07/2008 - 10h35 Francisco Lima
Jornal Meio Norte
Mais duas crianças reconheceram Antônio Francisco Carvalho da Silva
como o responsável pela violência sexual pela qual passaram. Foi o que explicou a delegada Maria Laura Monteiro, titular da Delegacia do Menor Vítima, no Bairro Redenção, zona Sul de Teresina. Antônio Francisco foi
preso na manhã do último domingo, acusado de ter estuprado 10 crianças desde maio de 2007.
As duas crianças somam-se a mais duas que já haviam feito o reconhecimento no domingo e agora são quatro que afirmam terem sido estupradas pelo vendedor de quadros. “Uma das meninas que apontou o
suspeito como o responsável o reconheceu pela televisão, ao ver uma reportagem quando ele foi detido”, afirmou a delegada.
A polícia agora espera que mais crianças que foram vítimas do estuprador possam fazer o reconhecimento e colaborar com as investigações. Segundo a delegada, o resultado da apuração do caso ainda vai demorar
para ser concluído, uma vez que ainda existem muitos pontos soltos e o acusado ainda não deu sua versão oficial do caso.
“Apesar de termos muitas provas que indicam um possível culpado, temos que conduzir esse caso com muito cuidado, porque estamos lidando com crianças, que às vezes podem ser induzidas a falar algo”, disse a delegada, comedida.
De acordo com conversas preliminares, os policiais conseguiram descobrir que o estuprador agiu enganando as crianças, afirmando que suas mães haviam comprado carne e que elas deveriam ir com ele buscar a encomenda. Ele então as levava para o meio do mato e dizia que, se elas tentassem fugir, uma onça iria atacálas. Somente uma das dez crianças não foi violentada de fato, mas os atos eram tão agressivos, que uma
das nove estupradas teve que passar por uma cirurgia, devido à violência pela qual passou.
Antônio Francisco foi detido após, supostamente, ser reconhecido por um morador da Vila Bandeirantes, enquanto trabalhava fazendo suas cobranças. A pessoa o achou parecido com retrato falado do agressor e ligou para a polícia.
De acordo com a mulher do acusado, a dona-de-casa Maria do Socorro Silva, Antônio Francisco nunca deu nenhum sinal de ser abusador de crianças. “Ele sempre foi um um homem muito trabalhador. Nunca saiu de
casa para ir para festa e, me contou que, foi denunciado por homem que devia dinheiro para ele e não queria pagar. O homem quis incriminar uma pessoa inocente para se livrar da dívida”, garante ela.
Maria do Socorro disse ainda que o marido tem um álibi para pelo menos um estupro. “No dia 15 de junho (data da agressão sexual da última criança) ele estava fazendo uma cobrança em União, por isso não tinha como estar aqui. Isso tudo é uma armação”, reitera. A delegada Maria Laura explicou que todas as crianças estupradas possuem um laudo pericial contendo todas as informações sobre a violência, mas o documento não possui informações sobre o DNA do agressor.
‘Por isso, infelizmente, não poderemos fazer o comparativo, já que ainda não possuímos tecnologia o suficiente para fazer a coleta de DNA. Ainda assim temos muitas testemunhas que nos ajudarão a solucionar o caso”, conclui.