O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta segunda-feira, em um seminário em São Paulo, que o Brasil "está no limite da valorização cambial" e que, caso o real seja mais apreciado, as contas externas "vão para o vinagre".
O ministro disse, no entanto, que não acredita que isso virá a acontecer e que a atual apreciação do câmbio pode ser atribuída, entre outros fatores, a uma correção da "exagerada" desvalorização do real entre 2001 e 2003.
Mantega fez as afirmações ao responder a uma crítica do ex-ministro Delfim Netto, que disse que a política cambial está sendo usada como instrumento de combate à inflação. "Você não pode usar o câmbio como único instrumento para derrubar a inflação", disse o ex-ministro.
O atual ministro disse que a valorização do real é constante desde 2003, ano em que a queda em seu valor atingiu o máximo, devido às suspeitas do mercado em relação à política econômica do recém-eleito presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mantega explicou que a desvalorização cambial serviu como instrumento para combater a inflação no passado, o que acaba provocando desequilíbrios nas contas externas do País. O ministro atribuiu aos sólidos fundamentos da economia o fato de a inversão desta tendência não ter causado um efeito contrário, com uma maior alta dos preços.