O governo tem como meta garantir que a economia cresça 4% em 2009 e vai fazer de tudo para sustentar a atividade econômica, o nível de emprego e da renda. Este foi o recado dado ontem pelo presidente Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, aos empresários reunidos no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Para demonstrar sua determinação, o governo anunciou novas medidas que, em seu conjunto, colocarão mais R$ 24 bilhões em crédito à disposição de vários setores da economia. ´Tomamos a decisão de não permitir que a crise tenha no Brasil os efeitos que alguns querem que ela tenha´, disse Lula.
Aposta no crédito e otimismo
Para sustentar o crescimento, Mantega informou que o governo vai trabalhar para expandir o crédito em 15% a 20% ao ano.
Lula disse que o papel dele e do governo é pregar otimismo, restaurar o crédito e a confiança para impedir que o pânico tome conta da sociedade e que o medo de uma recessão maior se transforme em realidade. O pior da crise financeira, na avaliação presidencial, já passou.
Entre as medidas anunciadas ontem pelo ministro Mantega está o aumento do prazo de recolhimento de vários tributos, a ajuda do Banco do Brasil para os bancos das montadoras de veículos (no valor de R$ 4 bilhões), uma linha de crédito do BNDES para capital de giro para médias e grandes empresas, empréstimos de pré-embarque e empréstimos-ponte (no total de R$ 10 bilhões) e uma linha do BB para capital de giro de pequenas e médias empresas (no total R$ 5 bilhões). O Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), por sua vez, aprovou a liberação de R$ 5,25 bilhões do FAT para reforçar as linhas de empréstimos destinadas, principalmente, a micro e pequenos empresários e agricultura familiar.
Além disso, o governo anunciou a criação de uma força-tarefa para agilizar a liberação de créditos tributários que o setor produtivo possui com o governo. A promessa do governo é que essa liberação ocorrerá até o fim do ano. O ministro Guido Mantega qualificou as medidas anunciadas ontem como ´emergenciais´ e disse que depois delas, o governo vai fazer uma política anticíclica e reduzir o custo financeiro das empresas. Por conta da crise internacional, o ministro disse que o custo financeiro das empresas foi elevado em 4 pontos porcentuais e que é preciso tomar medidas, dentro da política monetária, para a redução dessas despesas. Sobre o crédito, o ministro da Fazenda afirmou que o crédito no País precisa crescer de 15% a 20% para continuar a expansão econômica, afirmou. O objetivo das medidas emergenciais e da política anticíclica, segundo Mantega, é manter o crescimento, o nível de emprego e a massa salarial. ´Assim, a população continuará comprando´, disse. ´Com todo o trabalho conjunto que vem sendo feito pelo setor privado com o setor público, temos condição de garantir um crescimento de 5% em 2008, caindo para 4% em 2009 e voltando para o patamar de 5% em 2010´, afirmou.