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Manutenção da taxa básica não alivia juros ao consumidor

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Manutenção da taxa básica não alivia juros ao consumidor

Com a falta de crédito provocada pela crise financeira internacional, juros continuam elevados

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03/11/2008 - 07h59 Atualizada em 03/11/2008 - 08h28
fonte Diário do Nordeste www.diariodonordeste.com.br



Em meio à falta de crédito provocada pela crise financeira internacional, a manutenção da Selic (a taxa básica da economia) em 13,75% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última quarta-feira, não alivia em nada os altos juros cobrados do consumidor. Isso porque uma operação comum, como o crédito direto ao consumidor, tem porcentuais de 45,76% ao ano (3,19% por mês) desde setembro — no mês anterior, o índice estava em 44,75% (3,13% ao ano).

Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a taxa Selic já vinha sendo elevada ao longo de 2008. Esse movimento se acentuou em 10 de agosto, quando o Copom anunciou um aumento da taxa de 13% para 13,75% — a última correção desse indicador.

Além disso, a Anefac também concluiu que o brasileiro já tem sentido os reflexos da crise financeira internacional. Apesar de a taxa Selic não ter sido alterada em outubro, há impactos da desaceleração da economia no Brasil, como a maior restrição por parte dos bancos e financeiras para a liberação dos empréstimos, por receio de um possível aumento nos níveis de inadimplência.

Segundo o vice-presidente da Anefac, Miguel de Oliveira, o cenário força o mercado a uma tendência de alta nos juros para pessoas físicas até o fim deste ano, o que pode atrapalhar as compras de Natal dos brasileiros. No entanto, esta semana, representantes da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio) afirmaram que as vendas não devem sofrer alterações, pois o 13º salário dará mais confiança às pessoas — pelo menos até janeiro.

Contudo, uma coisa já é certa para os especialistas em finanças: as operações terão parcelamentos menores e a liberação de compras a prazo seguirá critérios mais rígidos.

Crediários devem ser evitados

De qualquer forma, os economistas William Eid Júnior e Luís Carlos Ewald orientam os consumidores a fugir dos crediários a todo custo. A pesquisa da Anefac mostra que a preocupação tem sentido: no caso dos juros do comércio, os porcentuais subiram de 6,17% para 6,26% ao mês, de agosto a setembro (de 105,13% a 107,22% ao ano). ´Não é hora de fazer dívidas. Se tiver dinheiro para comprar à vista, ótimo, senão o ideal é deixar para fazer compras mais caras quando a crise passar´, disse Ewald.

Eid Júnior, por sua vez, recomendou aos consumidores adquirirem somente o indispensável, não tomarem crédito agora e, conseqüentemente, não assumirem dívidas caras. ´O ideal é sempre fazer as compras à vista´, orientou.
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