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Mercado já não acredita mais em aumento de juros até o fim de 2009

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Mercado já não acredita mais em aumento de juros até o fim de 2009

Estimativa acontece apesar da projeção de mais inflação em 2008 e 2009.

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10/11/2008 - 09h03
fonte G1



Mesmo com a inflação dando sinais de persistência, o mercado financeiro deixou de acreditar que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central vá subir os juros até o fim do próximo ano, segundo relatório de mercado, também conhecido como Focus, divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central. O documento é fruto de pesquisa com economistas do mercado financeiro.

Atualmente, a taxa Selic está em 13,75% ao ano. Na semana retrasada, o mercado acreditava que os juros seriam elevados em janeiro, para 13,88% ao ano. Em março, acreditavam que haveria ainda uma nova elevação, para 14,25% ao ano, e que só voltariam a cair em setembro do próximo ano, para 14% ao ano. Em julho, recuariam para 13,75% ao ano e fechariam 2009 em 13,38% ao ano.

Na semana passada, porém, segundo o relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (10), a maior parte dos economistas ouvidos pelo BC em sua pesquisa deixou de acreditar em novas elevações de juros até o fim do ano que vem. Os analistas projetam, agora, que a taxa Selic fique estável em 13,75% ao ano até outubro de 2009 e que, na última reunião do Copom do próximo ano, marcada para dezembro, recue para 13,25% ao ano.

Inflação

O objetivo primordial do Banco Central, ao definir os juros básicos da economia brasileira, é o controle da inflação. Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, a instituição é responsável por calibrar a taxa de juros para que as metas pré-determinadas sejam atingidas. Para este ano e para 2009, a meta central, tendo o IPCA como referência, é de 4,50%.

No sistema, porém, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo em relação à meta central. Deste modo, a inflação pode oscilar entre 2,50% e 6,50% sem que a meta seja formalmente descumprida em 2008 e em 2009.

O BC já informou anteriormente que busca trazer a inflação para a meta central já em 2009. Na última semana, a previsão do mercado para o IPCA de 2008 avançou de 6,31% para 6,40%. Para o ano que vem, subiu de 5,06% para 5,20%.
A instituição já está ajustando os juros, neste momento, com olhos no cenário para o próximo ano, e há vários fatores que podem impactar a inflação (crescimento econômico menor e crédito menos aquecido favorecem a queda, enquanto a subida do dólar contribui para um aumento).

Crescimento

No caso do crescimento da economia brasileira, a previsão do mercado financeiro para este ano permaneceu estável em 5,23%. Para 2009, a estimativa do mercado também foi mantida, mas em 3%. Durante a maior parte deste ano, a projeção para o crescimento do próximo ano ficou em 3,50%. Entretanto, com a crise financeira internacional, teve queda nas últimas semanas.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que antes dizia que a economia cresceria até 4,5% em 2009, já mudou o discurso e agora fala em até 4% de elevação. Oficialmente, a previsão do governo, contida na proposta de orçamento para 2009, é de que o PIB avance 4,5% no ano que vem. Já foi revisada uma vez, pois, antes, estava em 5%. Entretanto, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, já admitiu que o crescimento de 2009 deve ficar entre 3,7% e 3,8% no próximo ano.

Dólar

A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio é de que ela termine este ano em R$ 2,05, ou seja, acima da projeção da semana anterior (R$ 2 por dólar). Essa é a sexta semana consecutiva de aumento desta previsão e acontece em meio à disparada do dólar por conta da crise financeira - que é reflexo da retirada de recursos do país por investidores estrangeiros. Para o fim de 2009, a estimativa dos analistas para a taxa de câmbio também subiu, passando de R$ 2 para R$ 2,01 por dólar.

Balança comercial e investimentos diretos

A projeção do mercado financeiro para o saldo da balança comercial (exportações menos importações) de 2008 caiu de US$ 24 bilhões para US$ 23,8 bilhões na última semana. No início deste ano, os analistas ouvidos pelo Banco Central projetavam superávit de US$ 31,9 bilhões para a balança comercial em 2008. Para o ano de 2009, a estimativa do mercado para o saldo comercial recuou de US$ 13,05 bilhões para US$ 13,03 bilhões na semana passada.

No caso dos investimentos estrangeiros diretos, a expectativa do mercado financeiro para o ingresso de 2008 foi mantida em US$ 35 bilhões na última semana. Para 2009, a projeção teve forte queda. Passou de US$ 30 bilhões para US$ 26 bilhões.
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