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Milhares de muçulmanos marcham na Índia pela independência da Caxemira

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Milhares de muçulmanos marcham na Índia pela independência da Caxemira

Dezenas de milhares de pessoas marcharam em frente aos escritórios da ONU em Srinagar.

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18/08/2008 - 19h44
fonte Folha Online



Milhares de muçulmanos se manifestaram, hoje, em Srinagar, capital da parte indiana da Caxemira, para exigir da ONU (Organização das Nações Unidas) o direito à independência do território, dividido há 60 anos entre a Índia e o Paquistão. Carregando bandeiras verdes e pretas de protesto e contando slogans militares, dezenas de milhares de pessoas marcharam em frente aos escritórios da ONU em Srinagar. A multidão destruiu uma cerca que protegia o local para alcançar a entrada, onde deixaram uma petição citando violações dos direitos humanos cometidas pelas autoridades indianas e pedindo a intervenção da ONU.
Syed Ali Shah Geelani, um dos líderes do movimento, disse à multidão que exija "que a ONU, os EUA, o Reino Unido e a comunidade internacional venham e vejam o que as pessoas querem". "Esta é uma luta pela autodeterminação. A ONU deveria enviar seus membros de paz para Jammu e Caxemira", disse Geelani. O governo indiano diz que a Caxemira é um assunto interno ao país e não quer a intervenção internacional. Líderes separatistas dizem que a marcha foi a maior dos dois últimos meses, quando começaram os protestos pela independência da região.
A manifestação aumentou as tensões entre os manifestantes e o governo indiano. Enquanto os protestos anteriores foram liderados por grupos separatistas pacíficos, os manifestantes desta segunda chamavam o nome de Lashkar-e-Tayyaba, um dos mais violentos grupos militares islâmicos. "Lashkar chegou. É sua morte Índia. Lashkar chegou", dizia a multidão enquanto passava pelas forças de segurança indianas. O grupo, com base no Paquistão, foi acusado também de bombardeios ao longo da Índia nos últimos anos.
A polícia e as forças paramilitares utilizaram todos os seus recursos para manter a manifestação pacífica. Nenhum problema foi reportado até o momento. Na semana passada, 22 muçulmanos morreram e centenas de pessoas ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e policiais indianos, numa das mais graves crise no Estado de Jammu e Caxemira desde o início em 1989, quando islamitas realizaram uma insurreição separatista contra a Índia.
O governo indiano diz estar preocupado que os protestos cheguem a outras partes do país, que tem um histórico de violência entre grupos religiosos diversos. O Conselho de Segurança da ONU tem várias resoluções pedindo um referendo em ambas as partes da Caxemira para que a população, majoritariamente muçulmana, eleja entre a soberania indiana e a paquistanesa. No entanto, a votação nunca foi levada à prática.
Desde 1947, Caxemira é um ponto de atrito entre Nova Déli e Islamabad, e provocou duas das três guerras entre os dois países. Em 2003, os dois governos decretaram um cessar-fogo ao longo de sua fronteira na Caxemira e, em 2004, retomaram as conversações de paz.
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