Aconteceu novamente. Pela terceira vez, somente este ano, o quilômetro 110, da BR-222, na Serra de Uruburetama, trecho mais conhecido como “curva da morte” foi palco de mais uma tragédia. Dessa vez, o ônibus da Expresso Ipu-Brasília, placa HXB-2545, de Ipu (CE), que havia saído de Fortaleza às 6h30 e seguia para a cidade de Carnaubal, na divisa do Ceará com Piauí, colidiu com a Scania 113, de sete eixos, placa LYH 0131, inscrição de Itaiópolis (SC), carregada com 40 toneladas de farelo de soja.
Poderia ter sido uma tragédia sem precedentes. Os dois veículos que tombaram, pararam à beira de uma ribanceira de mais de 50 metros. Na hora do acidente, 41 passageiros seguiam viagem. Duas pessoas morreram, uma delas foi Francisca Furtado Neo, natural de Guaraciaba do Norte, que morreu no local do acidente.
A outra vítima foi identificada como Rita Gomes da Silva, natural de São Benedito, que chegou a ser atendida no Hospital e Maternidade João Ferreira Gomes, de Itapajé, que fica distante cerca de 10 quilômetros do local do acidente. A vítima foi levada para Fortaleza em um dos helicópteros da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), mas não resistiu aos ferimentos e faleceu durante a viagem
Abismo
De acordo com o motorista do ônibus, Luiz Carlos Sales Santos, a Scania trafegava em alta velocidade, sobrou na contramão e colidiu com o ônibus. “Eu vi que ia bater de frente, daí, puxei. Se pega de frente, tinha jogado o ônibus no abismo e a tragédia tinha sido pior”, disse Luiz Carlos.
Já o motorista da carreta, Josenil de Oliveira dos Santos, que tinha saído na última terça-feira, pela manhã, do Município de Porto Franco, na divisa do Maranhão com Tocantins, admitiu que pode ter havido invasão de pista. “Ele (o motorista do ônibus) diz que eu invadi a faixa, mas se invadi, foi coisa mínima. Bati na parte lateral do ônibus. Talvez ele tirou a frente. Geralmente, se você tira a frente do carro, a tendência é a traseira ficar. E eu bati no eixo traseiro do ônibus. Infelizmente, aconteceu essa desgraça”, lamentou Josenil ainda no local do desastre.
Socorrida para esta Capital, no helicóptero da Ciopaer, a passageira Rita Gomes da Silva, morreu durante o vôo para a Capital, que durou mais de 30 minutos. Ela não resistiu ao politraumatismo e a hemorragia interna em conseqüência do impacto da colisão.
O helicóptero do Ciopaer, pilotado pelo major PM Wellinston e co-piloto Emerson, aterrissou na Praça Clóvis Beviláqua, no Centro de Fortaleza, exatamente ao meio-dia de ontem, trazendo a paciente. Pouco antes da chegada do corpo de Rita Gomes da Silva ao IJF-Centro, outras duas vítimas do acidente chegaram ao hospital trazidas em veículos particulares. Antônia Salete da Silva e seu filho Michel Cavalcante Barbosa foram imediatamente encaminhados à emergência.
A assessoria de Imprensa do IJF informou que o estado das duas vítimas era considerado grave, com risco de morte. Outras duas vítimas do acidente em Itapajé eram esperadas no Frotão no início da tarde.
Vítima
A dona-de-casa Rita Gomes da Silva retornava para a sua residência, no Sítio Mundo Novo, em São Benedito, depois de passar alguns dias em Fortaleza. Ela esteve na Capital para visitar parentes e realizar uma consulta médica sobre um problema nas pernas. Rita era casada e mãe de cinco filhos. A cunhada dela, Maria Regina Gonçalves Soares, compareceu ao IJF-Centro tão logo tomou conhecimento do acidente, por telefone.
Bastante abatida, Regina reconheceu o esforço dos médicos e dos integrantes da Ciopaer para salvar a vida da dona de casa, mas criticou a falta de apoio da empresa proprietária do ônibus sinistrado. ´Já se passaram horas do acidente e não apareceu aqui nenhum representante da empresa para nos ajudar”, reclamou.