O taxista José Luciano de Sena Monteiro, o ´Lula´, 56 anos, denúncia o que define como mais uma ação desastrosa da Polícia. ´Eu fui a vítima´, conta, mostrando marcas de agressões sofridas por parte de policiais militares integrantes do Comando Tático Motorizado (Cotam).
José Luciano foi abordado, na noite de segunda-feira (25), na Avenida Leste-Oeste, na Barra do Ceará. Ele ficou com marcas de agressões, sobretudo no rosto. O taxista fez questão de mostrar o seu veículo, o táxi Santana branco, de placas HWJ 7693, que foi atingido por quatro tiros disparados pelos policiais na abordagem.
José Luciano trafegava no táxi com as mesmas características de um carro usado por bandidos em um assalto a uma churrascaria, no Jardim das Oliveiras, com placas HWJ 7963. Os PMs teriam confundido o veículo do taxista com o usado no assalto.
O taxista denunciou na Defensoria Pública a forma como foi abordado pelos PMs. ´Eles agiram violentamente. Eu podia estar morto. E se eu tivesse levando passageiros? Nem quero pensar o que podia ter acontecido´, relata.
Após detido pelos PMs, o taxista foi encaminhado ao 7º DP (Pirambu), onde prestou depoimento. Constatado o equívoco, acabou sendo liberado.
O comandante do BPChoque, coronel PM José Maria Barbosa Soares, reconhece que os PMs confundiram o carro do taxista com o usado no assalto no Jardim das Oliveiras.
Contudo, diz que a ação obedeceu ao padrão de abordagem de alto risco da PM, na medida em que o taxista recebeu ordens para parar e não respeitou, empreendendo fuga. ´Daí, a decisão tomada pelos PMs de atirar´, diz Soares.
O comandante assegura que os PMs envolvidos responderão por excessos, porventura cometidos durante a ação. O taxista já respondeu por atentado violento ao pudor.