O presidente palestino, Mahmoud Abbas, rejeitou uma proposta de paz feita por Israel por não prever a criação de um Estado palestino contíguo e com Jerusalém como sua capital, afirmou o gabinete de Abbas. Nabil Abu Rdainah, porta-voz de Abbas, disse à agência palestina de notícias Wafa (oficial), que o plano do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, caracterizava-se pela "falta de seriedade".
A proposta de Olmert não oferece uma solução para as pretensões conflitantes em torno da cidade sagrada de Jerusalém e somente seria implementada quando Abbas controlasse os militantes islâmicos e retomasse o domínio sobre a Faixa de Gaza, território capturado pelo Hamas um ano atrás. Pelo plano do líder israelense, o Estado judaico devolveria aos palestinos cerca de 92,7 por cento da Cisjordânia ocupada, além de toda a Faixa de Gaza, disseram autoridades palestinas e autoridades do Ocidente familiarizadas com as negociações.
Em troca das terras que ficariam sob o controle de Israel, Olmert sugeriu dar aos palestinos uma área de deserto vizinha à Faixa de Gaza. A proposta do dirigente surgiu pela primeira vez vários meses atrás, mas foi publicada em detalhes, ontem, pelo jornal israelense Haaretz. O porta-voz de Abbas respondia a esse texto. "A proposta israelense é inaceitável", disse Abu Rdainah. "Os palestinos só aceitarão um Estado palestino com continuidade territorial, com a cidade sagrada de Jerusalém como sua capital, sem assentamentos, e com as fronteiras de 4 de junho de 1967."
O porta-voz referia-se às fronteiras existentes antes da Guerra dos Seis Dias, durante a qual Israel ocupou Jerusalém Oriental (parte árabe da cidade), a Faixa de Gaza e a Cisjordânia. Rdainah descreveu a proposta israelense como uma "perda de tempo". Lançadas em novembro com o objetivo de selar um acordo sobre a criação de um Estado palestino antes do final de 2008, as negociações de paz patrocinadas pelos EUA mostraram até agora poucos sinais de progresso e foram prejudicadas desde o início por episódios de violência e controvérsias em torno da construção de novos assentamentos por Israel.
As chances de um acordo de paz diminuíram ainda mais com o anúncio feito por Olmert, na semana passada, comunicando que deixará o cargo quando seu partido, o Kadima, escolher um novo líder, em setembro. Mark Regev, porta-voz do premiê, afirmou que Olmert desejava de fato avançar nas negociações de paz. No entanto, uma outra autoridade israelense disse que o premiê tentava simplesmente deixar um legado. "Não haverá acordo nenhum, e ponto final", disse essa autoridade, que falou sob a condição de sua identidade não ser revelada.