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Pervez Musharraf renuncia ao cargo de presidente do Paquistão

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Pervez Musharraf renuncia ao cargo de presidente do Paquistão

Ele disse que consultou seus conselheiros antes de tomar a decisão

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18/08/2008 - 19h35
fonte G1




O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, renunciou ao cargo, hoje. O anúncio foi feito em rede nacional de televisão, em meio à campanha de impeachment liderada pela oposição. Ele disse que consultou seus conselheiros antes de tomar a decisão e que fez uma opção que vai evitar “uma instabilidade ainda maior no país”. “Depois de analisar a situação e consultar conselheiros legais e aliados políticos, decidi renunciar”, disse Musharraf, de 65 anos, que estava no poder desde 1999 e era um dos principais aliados dos Estados Unidos na guerra ao terrorismo iniciada após os atentados de 11 de Setembro. “Deixo meu futuro nas mãos do povo.”
O presidente do Senado, Mohamadmian Sumro, assumiu interinamente a presidência. Novas eleições devem ser feitas em um prazo entre um e dois meses, segundo a Constituição. Durante o discurso à nação, Musharraf disse que “a acusação contra ele não pode ser comprovada”. Ele é acusado de incompetência e também de ter violado a Constituição. “Ganhe ou perca o impeachment, em qualquer caso, a nação será derrotada”, afirmou. Musharraf afimou que as acusações contra ele “são falsas” e que “tentaram transformar verdades em mentiras”.
O processo de destituição parlamentar começou na semana passada e foi iniciado por líderes do Partido do Povo do Paquistão (PPP), da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, e pela Liga Muçulmana do Paquistão Nawaz (PML-N, na sigla em inglês), liderado pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif. Musharraf defendeu suas ações nos últimos nove anos, dizendo que liderou o Paquistão em algumas de suas piores crises desde a independência em 1947. Ele disse ainda que nos últimos oito meses, desde que deixou de exercer os poderes do Executivo, a economia do Paquistão vem se deteriorando.
O impasse político e a incerteza em torno de Musharraf haviam afetado os mercados financeiros do país de 165 milhões de habitantes, que possui armas nucleares. Havia preocupação no exterior de que, diante da crise política, Islamabad estivesse se distraindo do combate à militância islâmica. Musharraf está politicamente acuado desde que uma aliança oposicionista venceu as eleições de fevereiro e formou um novo governo. Fontes da coalizão haviam dito na semana passada que o presidente exigira imunidade parlamentar em troca da renúncia. A notícia fez a bolsa paquistanesa recuperar-se e a rupia se valorizar.
Bilawal Bhutto Zardari, filho da ex-líder do Partido Popular do Paquistão (PPP) Benazir Bhutto, disse que a saída de Musharraf do poder "eliminou um obstáculo para a democracia no Paquistão". Bilawal, de 20 anos, que chegou à cidade de Karachi e está destinado a assumir a liderança do PPP quando fizer 25 anos, disse ao canal de televisão Geo TV que sua formação está comprometida a restituir em seus cargos os magistrados do Supremo expulsos por Musharraf.
Esta opinião está alinhada à do partido Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), também governistas, legenda que se mostrou partidária de restaurar "em breve" os juízes em seus cargos. A governamental Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), liderada pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, também comemorou a renúncia do presidente e se mostrou contrária a conceder-lhe imunidade após sair do poder.
"Nossa posição a respeito de conceder-lhe uma saída é clara. Musharraf quebrou a Constituição e deve pagar por isso", disse o secretário de informação da PML-N, Ahsan Iqbal, em declarações à imprensa.
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