Para que os efeitos da inflação dos alimentos tenham impacto menor no orçamento do brasileiro, é imprescindível que ele siga algumas regras básicas, mas, que nem sempre são levadas tão à sério, na hora da ida inevitável ao supermercado. Segundo a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), as orientações para fugir das armadilhas, estrategicamente montadas para ampliar o consumo, se seguidas fielmente, podem resultar na economia de até R$ 3 mil, em um ano. Dinheiro este que poderia ser aplicado, por exemplo, em um curso ou na desejada viagem de férias da família.
Dentre as dicas estão as seguintes, talvez as mais importantes, na avaliação da coordenadora Institucional da Pro Teste, Maria Inês Dolci, entretanto, raríssimas vezes seguidas: ´Nunca abra mão da pesquisa, apesar de os preços da cesta básica estarem começando a cair. É preciso ter um plano estratégico para não gastar além. Não está procurando conforto? Então vá a supermercados que oferecem menos serviços, como os de bairro. Outra orientação é começar a encher o carrinho pelos itens mais essenciais, isto porque o consumidor tem que saber quanto dispõe para gastar´, destaca.
Atravessando a rua, por exemplo, é possível sair de um estabelecimento, entrar em outro, e gastar bem menos. Em estudo realizado pelo Pro Teste em 1.010 pontos de vendas, de treze municípios do País, a entidade constatou que, para um mesmo produto a variação de preços entre itens exatamente iguais pode ultrapassar 200%. Assim é o caso de um detergente de determinada marca que, em um supermercado do Rio de Janeiro foi encontrado a R$ 0,68 e, em outro, a R$ 2,20. Apesar da pesquisa não revelar dados sobre os supermercados de Fortaleza, as dicas para um carrinho ´sustentável´ do ponto de vista financeiro, também se aplicam à realidade da capital.
O inimigo de peso
Quem deseja gastar menos, tem ainda um ´inimigo de peso´: o marketing. As promoções ´irresistíveis´, como leve 3 e pague 2, ou as que anunciam dar brindes na compra de determinado produto, não passam de ´armadilhas´ para que o cliente passe mais tempo na loja. O importante, segundo Maria Inês, é sempre resistir às tentações. Deve-se observar ainda se as mercadorias em oferta não estão com prazos de validade próximos do vencimento, sobretudo as do gênero alimentício.
Enquanto espera na fila do caixa (se for em início de mês a demora é ainda maior), revistas, pilhas, salgadinhos e chocolates ´se ofertam´ em gôndolas ao lado dos clientes. Nesse momento, a orientação é novamente evitar inserir esses itens no carrinho. A pesquisa da Pro Teste também revela algumas pequenas ações dos supermercados, que, aos olhos do ´simples consumidor´ podem passar despercebidas, mas que acabam surtindo efeito positivo para os caixas desses estabelecimentos. Por exemplo, os corredores centrais costumam ser mais largos, enquanto os interiores e transversais são mais estreitos e sujeitos a congestionamentos. Isso faz com que o cliente tenha que diminuir a velocidade do carrinho e deslocar maior atenção aos produtos dessas gôndolas.
A melhor compra vai além
Por outro lado, a melhor compra vai além do menor preço. Aspectos como formas de pagamento e horários de funcionamento que mais se adeqüem devem ser considerados na hora da escolha do estabelecimento.
Dados do IBGE apontam que os gastos mensais com a cesta de alimentos, produtos de limpeza e higiene consomem, pelo menos, 31% das despesas fixas mensais de uma família padrão no Brasil. Para que a participação desses itens não seja tão expressiva, é sempre bom que o consumidor confira os preços em várias opções de supermercados próximos onde reside.