28/08/2008 - 10h45 Viviane Menegazzo
Jornal Meio Norte
Uma pesquisa divulgada recentemente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que mais da metade dos brasileiros pertence à classe média, e que está acontecendo no Brasil uma ascensão social dos negros de forma mais rápida do que a do restante da população. De acordo com o estudo, o percentual da população nas seis principais regiões metropolitanas do país que integra a classe média passou de 43,64% em 2002, para 51,57%, em abril deste ano.
No mesmo período, a proporção de negros que fazem parte dessa faixa social subiu de 39,24% para 50,87%, uma alta de 11 pontos percentuais. Em 2002, 38,55% da população negra estava na classe E. Em abril deste ano, a proporção caiu para 23,58% e se aproximou de outras camadas de menor renda, como pardos (22,98%) e índios (22,54%). Segundo os pesquisadores a principal explicação para essa melhora é que o crescimento econômico está beneficiando principalmente as classes menos favorecidas, compostas principalmente por negros.
De acordo com uma das principais entidades representativas da população negra do Piauí, o Coisa de Nêgo, o estado ainda não apresenta esta mudança. Para o coordenadora artístico e cultural da entidade, Gilvano Quadros, a situação no Piauí permanece precária e ainda existem muitas famílias negras em condições de vida desfavoráveis.
“O Coisa de Nêgo acompanha sistematicamente tanto as periferias dos bairros de Teresina quanto as comunidades quilombolas, que se encontram em locais mais afastados, e ainda não estamos constatando esta mudança de classe aqui. Já temos muitos programas e políticas públicas que atendem a esta população, mas devido à grande precariedade destas comunidades elas ainda são políticas assistencialistas e não políticas que gerem um desenvolvimento autosustentável”, afirma.
Para o coordenadora da entidade já está na hora do governo iniciar políticas que visem a melhorar a educação e a qualificação destas comunidades mais carentes. “Aqui em Teresina já temos algumas políticas mais voltadas para a qualificação profissional do negro, mas no interior existem comunidades que nem acesso têm, outras que ainda apresentam até dificuldade para conseguir água. Então é preciso que primeiro se solucione estas situações emergenciais e depois se trabalhe essa questão da educação e da qualificação”, explica.