02/10/2008 - 10h14 Mayara Bastos
Jornal Meio Norte
O Piauí mais uma vez integrou o grupo dos estados “lanterninhas” no Índice de Desenvolvimento Social (IDS). Os dados pertencem a um estudo sobre a qualidade de vida do povo brasileiro nos 27 Estados da federação feito pelo Instituto Nacional de Alto Estudo (Inae).
O Estado ficou na terceira colocação entre os estados com o pior IDS, com uma taxa de 6,9, em uma escala que vai de 0 a 10. Em primeiro lugar ficou o estado do Alagoas com 6,22, em seguida do Maranhão com 6,58. Na comparação entre as cinco regiões do Brasil, a região Sul é a mais bem colocada com um índice de 8,70 e o Nordeste com a última colocação com 7,08.
Um outro dado que chama atenção é que a educação do Piauí também aparece na relação dos piores. O estado de Alagoas registrou o baixo índice de 5,40, seguidos pelo o Estado com 5,84 e o Maranhão com 5,92. O IDS mede a inclusão social através de um indicador síntese que reflete os resultados obtidos em cada município analisado, e um outro que afere o nível de oferta de serviços públicos na área social.
Com base nesses dados é possível definir políticas públicas mais eficazes, ou seja, medidas que sejam capazes de afetar de uma forma mais ampla a população da região.
METODOLOGIA
Neste estudo, foram levados em conta cinco itens de comparação para a pesquisa, além de outros 12 sub-componentes sociais. Os dados analisados foram a saúde, que se refere a esperança de vida ao nascer e taxa de sobrevivência infantil, educação através da taxa de analfabetismo e média de anos de estudo da população, trabalho, relacionado ao tempo de atividade e de ocupação, índice de rendimento por meio do PIB per capta e coeficiente de igualdade, além de habitação, com informações sobre água, energia elétrica.
O IDS do Nordeste avançou relativamente mais (a 3,6% a.a.), embora tenha partido de patamar muito baixo. Logo atrás aparece os IDS do Centro-Oeste com 2,6%, Norte com 2,3%, Sul 1,9% e Sudeste com 1,5%. Esses números apontam uma acentuada redução das disparidades regionais de desenvolvimento social em relação ao último período da pesquisa: de 31,5% em 1970 para 8,9% em 2006.
Apesar de ter havido uma leve redução nas desigualdades de renda, o sociólogo Fernando Oliveira, avalia que essas diferenças permanecem elevadas no Brasil. “Em níveis realmente dramáticos. Entre as pessoas, o desequilíbrio social continua muito grave, embora a gente capte sinais de uma lenta melhoria”, avaliou.
O sociólogo analisou que em contrapartida, a análise das condições habitacionais, envolvendo indicadores de disponibilidade de água e energia, além da posse de eletrodomésticos, como geladeira e televisão, mostra que ocorreu um “espetacular” avanço. “A percepção é que, mesmo as famílias pobres, com rendas mais baixas, já têm acesso a esses serviços”, afirmou.
E destacou: “E as diferenças regionais e a desigualdade de renda, prova que houve avanço em termos de bem-estar doméstico e familiar, que se tornaram fatores minimizadores”.
As performances dos estados que apresentaram maior dispersão ficou com o IDS do Rio Grande do Norte que cresceu a 5,0% e o Piauí, a 4,8% anuais, os dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo evoluíram ambos a 1,2%. Em relação ao Índice de Rendimento, o Estado novamente aparece entre os lanterninhas: Alagoas (3,34), Piauí (3,48) e Maranhão (3,69). Já em relação a habitação, os estados, os maiores crescimentos ocorreram no Maranhão (12,2% ao ano), Piauí (9,8%)
e Acre (9,4%).